Roteiro no New England, Estados Unidos ⋆ FullTravel.it

Roteiro no New England, entre casas históricas, parques e jardins

Roteiro de 10 dias nos Estados Unidos, entre parques, jardins e casas históricas de Massachusetts, New Hampshire, Connecticut e Rhode Island. Uma viagem intensa em ritmo lento, no New England.

Newport The Breakers Coastline ©David Gleeson
Olga Mazzoni
53 Min Read

Itinerário de 10 dias na Nova Inglaterra

Na Nova Inglaterra, há um mundo de jardins em residências históricas e museus, em pequenas cidades e vilarejos, em reservas naturais e áreas protegidas. Passeia-se por arboretos e estufas, ao longo da costa e nos campos abertos e prados, em zonas florestais e em resorts de luxo. Nesta região do nordeste dos Estados Unidos, há plantas nativas, raras e exóticas, flores, bulbos e árvores, prados bem cuidados, combinações cromáticas fantásticas, estruturas ornamentais e trilhas. Há jardins secretos, tropicais, jardins de orquídeas e com casinhas, hortas e jardins de pedra e colinas, jardins em estilo japonês com localizações deslumbrantes.

A maior coleção paisagística de plantas nativas no nordeste dos Estados Unidos está aqui, assim como um dos jardins botânicos mais antigos do país. O outono é ideal para descobrir pequenos e grandes tesouros naturais da Nova Inglaterra, embalados pelas atmosferas caleidoscópicas das cores do Indian Summer. É sugerido realizar a viagem até, no máximo, a primeira quinzena de outubro para aproveitar a paleta e as cores outonais que descem do norte ao sul da região em um período que começa em meados de setembro e se estende até o final de outubro. Claro que na parte norte da Nova Inglaterra o “Verão Indiano” começa antes, enquanto na parte sul pode-se aproveitá-lo também no início de novembro. Nosso itinerário na Nova Inglaterra começa em Boston. Não se esqueça de preparar com antecedência os documentos para viajar para os Estados Unidos.

1ª etapa: BOSTON / chegada e passeio no Boston Public Garden

O Boston Public Garden fica no coração da cidade, adjacente ao parque público mais antigo da América, o Boston Common. Juntos, esses dois parques formam o lado norte do Emerald Necklace, o “Colar de Esmeralda”, uma longa faixa de parques desenhada pelo famoso arquiteto americano de parques e jardins Frederick Law Olmsted. O Public Garden conecta-se ao sul com a Boylston Street, a oeste com a Arlington Street, ao norte com a Beacon Street e a leste com a Charles Street, que divide o Public Garden do Boston Common. O parque contém numerosas plantas e um lago de mais de um hectare e meio, sobre o qual, de abril ao final de outubro, navegam os barcos em forma de cisne – Swan Boat – uma atração famosa de Boston, conduzidos por guias que fazem passeios pelo lago. Outra característica são as numerosas estátuas de bronze que adornam o parque, entre as quais Make Way for Ducklings (Dê passagem aos patinhos), homenagem a um famoso conto infantil. 

Boston Public Garden ©MOTT
Boston Public Garden ©MOTT

BOSTON: visita ao Isabella Stewart Gardner Museum e ao Arnold Arboretum

O Isabella Stewart Gardner Museum Boston é a bela casa-museu em Fenway Court idealizada por Isabella Stewart Gardner, magnata e milionária de Boston, que colecionou obras preciosas durante vários anos de viagens pela Europa e Ásia. A residência em estilo renascentista veneziano conserva telas de El Greco, Tiziano, Vermeer, Sargent, só para citar alguns pintores. Contam-se mais de 2.500 peças de arte, entre as quais a primeira pintura de Matisse adquirida por um museu americano. Gardner foi uma figura controversa e transversal na Boston do final do século XIX e início do XX, pois frequentava pessoas iluminadas, artistas excêntricos, foi musa e patrona, além de anfitriã de um salão “fora dos padrões puritanos”. Em 2012, foi inaugurada a nova ala do museu, realizada pelo arquiteto Renzo Piano: uma adição ao bairro do Boston Fenway Cultural District, onde fica também o famoso Museum of Fine Arts.

Isabella Stewart-Gardner Museum, Boston
Isabella Stewart-Gardner Museum, Boston

Continuação do dia com visita ao ARNOLD ARBORETUM no belo bairro Jamaica Plain – 107 hectares que fazem parte do sistema de parques Emerald Necklace de Boston desenhados no final dos anos 1800. O arboreto é o maior centro de pesquisa sobre plantas, com cerca de 14.000 árvores pertencentes a 5.000 classificações. O Visitor Center dispõe de mapas e folhetos para tours independentes, exposições sobre o Arboretum e suas plantas, exposições sazonais, uma loja com livros e artigos educativos para crianças e adultos, atividades infantis e banheiros. O Arboretum está aberto o ano todo, do amanhecer ao anoitecer, com acesso gratuito. Foi neste jardim que foi filmada a cena de carruagem do passeio parisiense no filme Pequenas Mulheres (2019), dirigido por Greta Gerwig.

Em Boston, deveria ser dedicado pelo menos três dias para explorar suas numerosas praças, antigas ruas, bairros onde se destacam canteiros sempre finamente decorados, Beacon Hill, Back Bay ou South End. A Commonwealth Avenue é uma sucessão de magnólias e de deliciosos edifícios antigos, pontilhados por jardins meticulosamente cuidados. É uma surpresa em qualquer estação do ano. Não deixe de fazer o passeio pela inovadora Rose Kennedy Greenway que acompanha a Harbor Walk, ao longo do porto. Esta sinuosa e longa área verde é uma mistura extremamente interessante e acolhedora de várias plantações, entremeadas por hortas, decoradas com instalações artísticas e iluminadas, bancos e postes, fontes e jogos d’água. É a solução urbana perfeita que substitui as faixas de veículos (agora todas enterradas no subsolo), permitindo aos cidadãos e visitantes uma caminhada “amigável”, o mais agradável possível durante a floração primaveril ou no outono.

2ª etapa: costa ao norte de Boston, lado norte de Massachusetts, localidade Ipswich

Visita à propriedade Castle Hill on the Crane Estate

Castle Hill refere-se a um “drumlin” (tipo particular de colina em forma de dorso de baleia ou de “dorso de burro”) de 66 hectares rodeado por mar e pântano salgado ou também à mansão localizada no topo da colina. Ambos fazem parte do Crane Estate de 849 hectares situado na Argilla Road em Ipswich, no Massachusetts. A antiga residência de verão dos senhores Richard T. Crane, Jr., inclui uma mansão histórica, 21 edifícios e uma paisagem voltada para a Ipswich Bay, ao longo da costa ao norte de Boston.

O nome da propriedade deriva do promontório homônimo de Ipswich na Inglaterra, local de onde partiram os colonos ingleses fundadores da Massachusetts Bay Colony. Séculos antes de se tornar a opulenta residência de verão de uma das famílias mais ricas da América, Castle Hill era conhecida pelos nativos índios como “Agawam“, referindo-se à abundância de pesca. No início da década de 1880, J. B. Brown transformou a Castle Hill Farm de posse agrícola em uma verdadeira “fazenda de cavalheiros”, melhorando suas estradas, o parque e elevando a casa rural a um elegante chalé, hoje conhecido como The Inn at Castle Hill. Foi nesta propriedade que foram filmadas várias cenas do filme As Bruxas de Eastwick de 1987, dirigido por George Miller, baseado no romance homônimo de John Updike, com Jack Nicholson, Cher, Susan Sarandon e Michelle Pfeiffer.

Richard T. Crane, Jr. comprou a propriedade em 1910 e transformou Castle Hill em um exemplo da “American Country Place Era“, com sua fazenda e edifícios pertencentes, o parque e jardins e diversas áreas naturais. A família Crane contratou alguns dos arquitetos mais famosos de residências e jardins da época. A primeira residência construída no topo da colina de Castle Hill, um revival de vila italiana renascentista, foi desenhada por Shepley, Rutan e Coolidge, e depois substituída em 1928 pela mansão no estilo Stuart com 59 quartos, projetada pelo arquiteto David Adler. A residência é mobiliada com móveis antigos. Castle Hill também abriga uma ampla variedade de fauna típica das florestas do nordeste do Massachusetts. Cervos, raposas, perus selvagens e uma multidão de pássaros canoros podem ser observados pelas numerosas trilhas de Castle Hill. Além disso, Castle Hill é casa de muitos casais de grandes corujas e falcões de cauda vermelha que nidificam ali. Graças à sua localização no Oceano Atlântico e perto da praia Crane Beach, espécies raras como abutres e falcões migratórios e, ocasionalmente, a águia-careca podem ser avistadas. Recomenda-se almoçar no The Inn at Castle Hill, reservando com antecedência.

Castle Hill on Crane Estate ©MOTT
Castle Hill on Crane Estate ©MOTT

Visita à Zimmerman House

A cerca de 70 km ao norte, chega-se ao estado do New Hampshire e à cidade de Manchester. Na chegada: visita à Zimmerman House, residência histórica localizada em 223 Heather Street e construída em 1951; é a primeira de duas casas no New Hampshire projetadas por Frank Lloyd Wright e um dos modelos de Prairie School no nordeste dos Estados Unidos. A casa é agora propriedade do famoso museu Currier Museum of Art, que oferece tours do edifício listado no National Register of Historic Places em 1979. A residência foi criada para os comitentes Dr. Isadore e Lucille Zimmerman.

Wright redesenhou a casa ao redor de uma rocha situada logo na entrada. Seu design foi estendido para incluir toda a mobília interna, assim como a caixa de correio, e também especificou o plantio das plantas para o jardim. A visita começa pelo museu e continua na casa, certificando-se de ter reservado com antecedência. Existem ainda tours privados que requerem reserva antecipada de pelo menos duas semanas.

Zimmerman House
Zimmerman House

3ª etapa em Cornish, New Hampshire

(135 km)

Cornish

A residência em Cornish pertenceu ao escultor americano Augustus Saint-Gaudens e inclui jardins encantadores e trilhas para caminhadas. Cornish é um vilarejo de aproximadamente 1.600 habitantes, às margens do Connecticut River no Sullivan County. As pontes cobertas de Cornish são um verdadeiro recorde, pois nenhuma outra localidade no New Hampshire pode se orgulhar de tantas. A mais notável é a Cornish-Windsor Covered Bridge, que se estende entre as duas margens do Connecticut River e é a ponte coberta mais longa do mundo com duas vãos, construída em 1866 ao custo de 9.000 dólares: 140 metros, verdadeira ligação entre New Hampshire e Vermont. Não deixe de visitar a Blacksmith Shop Covered Bridge, a Blow-Me-Down Covered Bridge e a Dingleton Hill Covered Bridge.

Visita ao Saint-Gaudens National Historic Site

Em 1763, os colonos ingleses, além de dar o nome ao vilarejo em homenagem ao Sir Samuel Cornish, um almirante da Royal Navy, ali se estabeleceram usando as margens do rio como ponto de transporte da madeira para os veleiros que eram conduzidos pelas águas fluviais. Em 1885, o famoso escultor Augustus Saint-Gaudens estabeleceu-se ali para caminhar e fugir do calor do verão de Nova York. Augustus Saint-Gaudens é conhecido pela estátua de bronze de Diana, que já esteve no topo do antigo Madison Square Garden. Seu Sherman Memorial brilha no canto sudeste do Central Park, e seu Peter Cooper Monument está firmemente colocado fora da Cooper Union. Ele viveu em uma magnífica residência no topo de uma colina rodeada por seu estúdio, jardins e hectares de floresta. Hoje, o Saint-Gaudens National Historic Site oferece tours pelos jardins, com 150 esculturas e obras do artista. A paisagem natural é, por si só, uma obra de arte e merece passeios e explorações naturalistas ao longo das trilhas. Artistas e amigos seguiram Saint Gaudens; entre eles, o pintor e ilustrador Maxfield Parrish, que desenhou e construiu sua residência nesta área, a Oaks.

Saint Gaudens Gardens
Saint Gaudens Gardens

Colônia de Arte de Cornish

Toda a área tornou-se o centro da conhecida Cornish Art Colony, uma das primeiras colônias de artistas nos Estados Unidos e, similarmente às outras em Connecticut, Nova York, Massachusetts e Dublin no New Hampshire, a beleza natural da paisagem, o clima e o relativo isolamento estimularam intelectualmente e encorajaram mutuamente a variedade de artistas residentes. A primeira onda de artistas chegou antes de 1895 e foi composta principalmente por pintores; dentre os primeiros estão George de Forest Brush e Thomas Dewing.

Outros seguiram: o pintor Henry O. Walker, o arquiteto, pintor e gravador Charles Platt, o pintor e gravador Stephen Parrish com seu filho, o ilustrador e pintor Maxfield, o pintor e crítico de arte Kenyon Cox. Todos adquiriram terras e construíram residências durante os anos 1890. Alguns, entre eles o famoso escultor Daniel Chester French, o pintor John White Alexander, o escultor Paul Manship, chegaram para algumas temporadas, assim como o Presidente Woodrow Wilson, que fez da residência do escritor Winston Churchill, autor de “Harlakenden House“, (queimada em 1923) a Casa Branca de verão de 1913 a 1915. A colônia fomentava uma interrelação entre diferentes artes: pintura, escultura, decoração, ilustração, arquitetura, design de paisagem, romances, jornalismo, teatro, poesia, crítica, ensaio, composição, música, de Boston e Nova York. Em 1905, estima-se que residiam cerca de 40 famílias lá por boa parte do ano e algumas o ano inteiro. A chegada dos artistas à colônia ocorreu em três fases: artistas e escultores no final da década de 1880 e início da década de 1890; escritores nos anos 1890; depois advogados, médicos, políticos e abastados após 1905.

Os jardins de Cornish

Os jardins foram um denominador comum na colônia. Extensos são os de Thomas Dewing e Stephen Parrish, que caminharam lado a lado com o design paisagístico de Charles Platt e suas protegidas Ellen Shipman e Rose Nichols. Stephen Parrish apaixonou-se pela beleza pastoral de Cornish, visitada junto com o arquiteto paisagista Charles Platt, seu aluno com casa em Cornish. Em 1893, Stephen comprou 18 acres de terra ao lado de Platt e construiu uma casa que chamou de Northcote. Passou os dez anos seguintes trabalhando no jardim, que foi considerado por muitos o mais belo jardim de toda a colônia dos artistas. Foi exatamente pela beleza do campo, assim como pelas casas e jardins dos artistas, que Stephen Parrish foi cativado por Cornish, e seu famoso filho – Maxfield – seguiu os passos do pai poucos anos depois, construindo uma casa, um estúdio e um jardim com cerca. As casas estavam intimamente ligadas aos jardins; áreas internas e externas enquadravam as vistas. Como na Toscana, também em Cornish construir era um desafio, mas a genialidade residia justamente em entender a paisagem.

De 1893 a 1910, Stephen manteve um diário detalhado de seu jardim, incluindo anotações sobre o clima, pássaros, atividades diárias, compras para o jardim, lista de plantas (incluindo aquelas que cresciam bem) e recortes de jornais sobre jardins. Informações generosas sobre telas pintadas e visitas recebidas. Quando a sobrinha Anne Bogardus Parrish morreu em 1966, deixou o precioso diário para o Dartmouth College. Northcote é o jardim mais documentado de toda Cornish e não só chamou atenção, foi fotografado e descrito em House and Garden, The Century Magazine e Country Life in America, e foi também publicado em dois volumes importantes sobre jardins, American Gardens de Guy Lowell e Beautiful Gardens in America de Louise Shelton.

Artistas e patronos em Cornish construíram vários imóveis arquitetonicamente notáveis. A maior parte do patrimônio da Cornish Colony está dentro de um raio de 5 quilômetros, no canto nordeste de Cornish e sudoeste de Plainfield. Os prédios históricos da Cornish Colony e as estruturas nos vilarejos de Plainfield e Cornish incluem residências, celeiros, garagens para carruagens, estúdios, estruturas e jardins auxiliares, instituições sociais e prédios públicos. Cerca de dez propriedades em Cornish e Plainfield são atribuídas ao conhecido arquiteto e residente na colônia, Charles Platt, que mesclou influências americanas e de vilas italianas. Além das intervenções de Platt seguindo o estilo das vilas italianas, as residências construídas nessa época geralmente mantêm influências de estilo como Colonial Revival e motivos Shingle e Craftsman. Ao final da visita vale uma bela caminhada por Cornish. Este canto tão idílico do New Hampshire mereceria pelo menos uma pernoite para aproveitar plenamente a beleza pastoral da paisagem.

4ª etapa: rumo a Williamstown

Continuação da viagem em direção às colinas do Berkshire no Western Massachusetts, localidade Williamstown (157 km). Chegada e visita ao esplêndido museu The Clark. Visita-se esta joia de arte e passeia-se no imenso parque onde se encontram esculturas. Os Clark – ricos magnatas da região do Berkshire – doaram a vasta coleção privada de arte, telas e esculturas para a cidade de Williamstown, pequeno tesouro no norte da Região do Berkshire, no oeste do Massachusetts. O agradabilíssimo museu e centro de pesquisa artística Sterling & Francine Clark Art Institute, frequentemente chamado simplesmente de Clark Art Institute ou The Clark, foi criado justamente por um herdeiro da Singer, os “barões” das máquinas de costura, e bem escondido nesta área bucólica para proteger as obras do século XIX e do renascimento italiano, caso Nova York fosse bombardeada pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. A coleção de arte francesa inclui Impressionistas – com inúmeras telas de Renoir, a maior coleção dos EUA –, as renomadas bailarinas de Degas, além de pinturas e esculturas de artistas americanos, telas de John Singer Sargent, pratarias inglesas etc. Em junho de 2008, o museu e o campus foram ampliados com a adição do Stone Hill Center, uma ala de cerca de três mil metros quadrados desenhada por Tadao Andō. Este incrível museu está imerso em um terreno com jardins de cerca de 52 hectares, uma combinação harmônica com a arquitetura do edifício, e é um convite a belas caminhadas pelas florestas, intercaladas com vistas das paisagens bucólicas. O museu dispõe de uma cafeteria com ótimos lanches.

The Clark Institute ©MOTT
The Clark Institute ©MOTT

5ª etapa: rumo a Lenox no Berkshire meridional

(km. 44) e em seguida Stockbridge, MA.

Lenox

Em Lenox viveu a famosa escritora americana, primeira mulher literata vencedora do Pulitzer, Edith Wharton, autora de numerosos romances agora famosos também no Brasil (lembre-se do filme de Martin Scorsese baseado no livro homônimo, “A Época da Inocência”). Sua residência – The Mount – é uma belíssima casa de campo em estilo renascentista italiano, que a escritora projetou juntamente com os terrenos e a propriedade inteira, considerando-a sua “primeira verdadeira casa”. The Mount comemorou seu centenário em 2002 após uma completa restauração das fachadas e interiores. Wharton não foi apenas uma importante escritora, mas também se tornou famosa pela arte das decorações, tanto das casas quanto dos jardins, rompendo com os velhos padrões de decoração sombrios e pesados típicos da era vitoriana e adotando em ritmo total a luz e os jardins à italiana. Foi autora de ensaios sobre essa temática, que revolucionaram o estilo de sua época e a transformaram em uma verdadeira “trend-setter”. Viveu na Itália e viajou muito pela Europa. Foi uma das representantes femininas da “intelligentsia bostoniana” do final do século XIX e início do XX. Estimada por artistas e escritores como Henry James, que costumava passar curtas temporadas ali. A disposição da residência com seu vasto parque é espetacular, assim como os jardins históricos. Na residência histórica há um restaurante-bar com um maravilhoso terraço. Recomenda-se reservar para refeições no local.

Continuação para Stockbridge, que esconde uma variedade de tesouros naturais e artísticos. (10 km)

The Mount, Lenox ©Tim Grafft-MOTT
The Mount, Lenox ©Tim Grafft-MOTT

Stockbridge

Visita-se o Naumkeag, antiga propriedade de campo do conhecido advogado de Nova York, Joseph Hodges Choate, situada na Prospect Hill Road, Stockbridge, Massachusetts. Três décadas dedicadas ao plantio e cuidado da paisagem resultaram neste esplêndido “cottage garden” da Nova Inglaterra. Sobem-se cada degrau da escada da fonte entre bétulas brancas e visita-se todos os jardins especiais, desde os rosais até as plantas perenes. A visita à residência e jardins requer pelo menos duas horas. Há uma cafeteria que oferece deliciosos sanduíches, saladas, bebidas e petiscos. Quem desejar aproveitar um belo piquenique na grama encontra também cobertores disponíveis. Com a bela casa, magníficos jardins, vistas panorâmicas, Naumkeag é a quintessência de uma residência de campo da Gilded Age. Esta obra arquitetônica é também a residência de uma família. Joseph Choate, advogado famoso do século XIX, confiou ao escritório de arquitetos McKim, Mead, & White o design de seu chalé de 44 quartos, Naumkeag, que serviria como residência de verão para vilas por três gerações seguintes da família Choate. Com sua vista para a Monument Mountain, sua maravilhosa coleção de jardins criada pela filha de Joseph Choate, Miss Mabel Choate, e por Fletcher Steele ao longo de 30 anos, suas obras de arte originais e o estilo “shingle” da residência, Naumkeag proporciona uma experiência inesquecível ao visitante. Caminham-se os belíssimos jardins: Afternoon Garden, Tree Peony Terrace, Rose Garden, Evergreen Garden, Chinese Garden para encontrar o espírito alegre e criativo de Miss Choate e Mr. Steele. Herdado em 1958 – completo com mobiliário, ferramentas de jardinagem e celeiro – Naumkeag é um National Historic Landmark que oferece conexão direta ao ambiente histórico da região do Berkshires. Além disso, é um lugar onde, assim como a família Choate, sente-se rodeado de beleza e renovação.

Stockbridge é também conhecida pela mais importante coleção de obras do ilustrador Norman Rockwell. O Norman Rockwell Museum celebrou 50 anos em 2019. O NRM é a maior coleção de pinturas originais de Norman Rockwell, que retratou cenas da vida na província americana, famosas mundialmente. Um clássico americano que remete a momentos de vida dos anos 40, 50 e 60. Foi ilustrador e viveu em Stockbridge, nas colinas do Berkshire. As capas que criou para a revista Saturday Evening Post são cultuadas. O museu está situado em um amplo vale verde, cercado pelas colinas e florestas do oeste de Massachusetts. Graças ao principal patrocinador Steven Spielberg, este museu é definitivamente uma das principais atrações do estado, também por sua moderna, porém clássica arquitetura branca em estilo “New England”. No mesmo local visita-se o estúdio de Norman Rockwell, preservado como foi deixado pelo pintor (este último aberto de maio a outubro). Ao final desta visita há tempo para um passeio pela Main Street entre lojas e galerias de arte, seguido de jantar e pernoite no The Red Lion Inn, Stockbridge.

6ª etapa: rumo a Hartford, capital de Connecticut

situada às margens do rio Connecticut no centro do estado. (118 km)

Antigamente, a cidade de Hartford, capital do Connecticut, era a cidade mais rica da América. Na verdade, foi por décadas, depois da guerra civil, na segunda metade do século XIX, quando se tornou também um centro de vida intelectual, religiosa e progressista vibrante. Tinha também numerosas indústrias, como as de seda e armas, e sobretudo a da edição de livros. E foi justamente graças a esta última que a cidade fundada em 1635 por um grupo de peregrinos puritanos dissidentes atraiu dois dos mais importantes autores da história literária americana: Harriet Beecher Stowe e Mark Twain.

O reverendo Lyman Beecher foi um importante ministro da igreja congregacionalista conhecido por seus sermões contra a escravidão. A filha, Harriet Beecher Stowe, escreveu o famoso romance “A Cabana do Pai Tomás”, enquanto o irmão, reverendo Henry Ward Beecher, posicionou-se contra a escravidão e apoiou o movimento pela temperança e sufrágio feminino. A irmã de Harriet, Isabella Beecher Hooker, foi uma das fundadoras do movimento pelos direitos das mulheres. Harriet Beecher Stowe já era famosa quando comprou a vila de cor creme, onde passou o resto da vida, de 1864 até sua morte, em 1896. Visita-se o Harriett Beecher Stowe Center com a histórica residência da família.

Ao lado está outra residência histórica igualmente fascinante: a Mark Twain House and Museum, que foi a casa de Samuel Langhorne Clemens e sua família de 1874 a 1891. Projetada por Edward Tuckerman Potter, foi construída em estilo gótico americano. O autor de “As Aventuras de Tom Sawyer” havia ido a Hartford em 1871 para visitar seu editor. Hospedou-se na casa de uma das irmãs de Harriet numa das vilas de Nook Farm, e apaixonou-se pelo local. Um ano depois comprou quatro hectares a poucas centenas de metros da casa de Harriet, e dois anos depois mudou-se para sua vila de 15 quartos e 5 banheiros (todos com água corrente quente e fria). Ali escreveu as obras Adventures of Huckleberry Finn e A Connecticut Yankee in King Arthur’s Court. O tour pela casa dura ao menos 1 hora, mas recomenda-se adicionar outra hora para conhecer as exposições do museu e o vídeo de Ken Burns, Mark Twain. Após a visita e um lanche, continua a viagem rumo ao pequeno estado do Rhode Island para chegar à cidade de Newport. Chegada, passeio, jantar à beira-mar e pernoite.

Mark Twain house
Mark Twain house

7ª etapa: Mansões da Gilded Age em Newport

É um salto no tempo: podemos nos sentir como figurantes do filme O Grande Gatsby e vagar curiosos pelas belas residências, as Mansions de Newport, que foram, em outro tempo, casas de férias para as famílias aristocráticas da América, os Vanderbilt, os Astor, os Belmont. Esse mundo “inocente” vivia de conforto, excentricidade, luxo e se inspirava na Europa para as artes, nos palácios e em nosso “savoir vivre” natural. A primeira parada em Newport é na Beechwood Mansion dos Astor: ao entrar no palácio, você estará em 1861. A descoberta dos Rich & Famous continua. Visita-se a Mansion de Cornelius Vanderbilt, The Breakers, e a residência de Edward Berwind, The Elms, depois a do William K. Vanderbilt, The Marble House.

A Mansion The BreakersOs Quebra-Ondas – é a mais opulenta: foi construída em apenas dois anos, de 1893 a 1895, e abriga 70 quartos. Uma das particularidades da residência são as pias nos banheiros: têm quatro torneiras, duas para água quente e fria e duas para água do mar quente e fria. No andar superior visitam-se os quartos dos filhos e dos hóspedes. The Elms é menor: foi habitada a partir de 1901 e os Berwinds costumavam celebrar festas com mais de 200 convidados. A bela biblioteca localizada na North Alcove é composta por painéis de madeira escura e vermelha; a grande lareira é decorada com plantas. Não perca uma boa caminhada ao ar livre, admirando também os exteriores, parques, avenidas e jardins dessas ricas residências: você terá uma compreensão completa da opulência da Era Dourada de Newport. Caminhe à beira-mar no outono e respire a brisa de Newport que a tornou famosa como capital dos velejadores e berço da America’s Cup. Mas, acima de tudo, não deixe de passear pela CLIFF WALK, que margeia a costa leste de Newport. É um percurso a pé de cerca de cinco quilômetros, criado em 1975, que oferece uma vista incomparável do mar, através dos penhascos e da beleza natural da costa: flores selvagens, pássaros, a vista das Mansions. Oito são os pontos de descanso nesse percurso de norte a sul, começando na First Beach, na Memorial Boulevard.

No fim da tarde, continua-se a viagem para chegar ao Cape Cod em Massachusetts e hospedar-se em um dos seus 16 encantadores vilarejos à beira-mar. Chegada em Sandwich, jantar e pernoite (139 Km) no Daniel Webster Inn.

Daniel Webster Inn
Daniel Webster Inn

8ª etapa: Cape Cod e seus jardins

Cape Cod

Cape Cod ocupa um lugar especial no coração e na mente dos americanos. Famílias bostonianas, da Nova Inglaterra ou de Nova York fazem dali um refúgio predileto para os finais de semana, a fim de fugir da pressão da vida urbana. É o lugar onde o clã dos Kennedy criou seu “condomínio”, no vilarejo de Hyannis. O Cape é uma harmonia de natureza e simplicidade, gosto estético e genuinidade. No Cape encontram-se campos próximos ao Oceano Atlântico, que no outono se enchem e produzem uma fruta típica e ácida, uma baga vermelha: o arando americano, cranberry, indispensável no prato com o peru do Thanksgiving Dinner, é também um dos maiores produtos agrícolas exportados pelo Massachusetts para o mundo. No Cape sobrevive a tradição da pesca e dos mercados de peixe nos pequenos vilarejos costeiros. O mar, os barcos e a pesca são uma das representações mais típicas dessa península. As imagens desta ilha são visões idílicas, não é por acaso que foram imortalizadas em escritos e telas de artistas, de Thoreau a Edward Hopper.

No outono, ilumina-se com luz e cores brilhantes graças ao Fall Foliage, e os campos de cranberry – o arando vermelho – liberam tons avermelhados durante a colheita anual, que oferece um dos espetáculos naturais mais incríveis. Escritores e pintores já frequentavam Cape Cod no século 19. Thoreau escreveu um livro, dedicando páginas a três longas caminhadas nas praias atlânticas de Nauset até Provincetown. Observação da natureza, vidas solitárias de locais e pescadores de ostras. Mas talvez isso seja o que inspirou escritores americanos famosos no Cape: de Tennessee Williams a John dos Passos.

Cape Cod - Foto di Christophe Schindler
Cape Cod – Foto de Christophe Schindler

Heritage Museums & Gardens

Visita ao Heritage Museums & Gardens, Sandwich – Aqui encontram-se 40 hectares de plantas, bulbos, flores esplêndidas e prados bem cuidados. É um ambiente extraordinário que oferece horticultura imbatível, design de jardins, descoberta do ar livre, exposições de magníficas coleções e cores vibrantes o ano inteiro. As temperaturas moderadas da região e as chuvas permitem mais de 500 variedades cultivadas em diferentes áreas do jardim, incluindo o Windmill Garden com suas flores espetaculares. Oficinas, seminários e atividades estão disponíveis durante o ano todo. Visitantes do mundo todo vêm admirar três salas que abrigam exposições especiais e permanentes: a American Folk Art, um carrossel vintage, carros antigos dentro de uma réplica de um estábulo shaker clássico no Massachusetts e exposições temporárias. Os jardins oferecem uma coleção de milhares de rododendros, incluindo a famosa variedade Dexter com flores de final maio até meio de junho. O terreno inclui também o Old East Mill, um moinho construído em Orleans, Massachusetts, no século 19, e extensivamente restaurado entre 1999 e 2000. Em 2002 foi adicionado um labirinto desenhado por Marty Cain, uma das melhores designers de labirintos na América do Norte. Além disso, há o Hart Family Maze Garden e o Cape Cod Hydrangea Garden. A Special Exhibitions Gallery é uma réplica de um edifício da Revolução, conhecido como The Temple of Virtue em New Windsor, Nova York, mesmo local onde George Washington entregou o primeiro Purple Heart a um soldado ferido. Continuação do dia com visita a outro jardim histórico: Heritage Museums & Gardens, em Falmouth – fantástica propriedade de 1878 restaurada, da família Beebe, é um dos poucos exemplos restantes no nordeste de arquitetura no estilo Queen Anne. A restauração, que durou dois anos dos dois magníficos jardins, foi concluída em 2013; a mansão e os jardins estão abertos para o público para visitas, de abril até o final de outubro. Caminhadas pela propriedade são oferecidas no primeiro e terceiro domingo do mês, na temporada de abertura. Tours guiados por professores e pré-agendados estão disponíveis o ano todo para grupos de 5 ou mais pessoas. Entrada paga. Continuação – após a visita – para etapa seguinte em Cape Cod, chegada a Provincetown na ponta norte da península. Passeio, jantar e pernoite em Provincetown.

Heritage Museums & Gardens
Heritage Museums & Gardens

9ª etapa: Cape Cod National Seashore Park

No outono, até meados de outubro, está aberto também o Province Lands Visitor Center do Parque Nacional. Como complemento à visita ao Parque Nacional das Dunas de Areia, recomendamos fortemente um passeio a bordo de veículo 4×4 para acessar as dunas de areia e a natureza marinha do parque, o Race Point Lighthouse Tour.

Cape Cod National Seashore

Os cerca de 18.000 hectares que compreendem o Cape Cod National Seashore nos cerca de 65 quilômetros de terra e mar, de Chatham até Provincetown, constituem uma das maiores reservas costeiras dos Estados Unidos. Cientistas preveem que em cinco mil anos as costas de Cape Cod desaparecerão devido à erosão e elevação do nível das águas oceânicas. O Cape é um depósito glacial que muda constantemente de forma com o movimento dos ventos e da água, que esculpem as dunas de areia ao longo das costas marinhas. O penhasco na Marconi Wireless Station perto de Wellfleet está visivelmente erodido desde que Guglielmo Marconi construiu sua torre em 1901. A Great Island, que foi um destino de caça para baleeiros, agora está ligada à península. Toda a península de Cape Cod perde cerca de um metro de costa por ano devido à erosão.

É uma das clássicas zonas constantemente sujeitas às caprichos do Oceano Atlântico. A tempestade de 1978, o furacão Bob em 1991 e as grandes tempestades de 1993 mudaram radicalmente a paisagem do Cape Cod National Seashore. Existem arquiteturas importantes para a tradição do Cape dentro do parque: faróis, estações da guarda costeira, bem como casas históricas que sempre fizeram parte do charme do Cape. É um parque que se deve visitar pelo menos uma vez na vida!

Criado em 7 de agosto de 1961 pelo presidente John F. Kennedy, o Cape Cod National Seashore se estende por cerca de 60 km de costa, incluindo as cidades de Provincetown, Truro, Wellfleet, Eastham, Orleans e Chatham: todas de indiscutível charme e beleza arquitetônica. Os Nativos Americanos começaram a usar essa terra há pelo menos 9.000 anos. Em 1620, um grupo de Peregrinos, separatistas religiosos ingleses, explorou a área para estabelecer a colônia. Cape Cod tinha muitos benefícios para oferecer, mas após meses de pesquisa decidiram se estabelecer em Plymouth. Em 1902, Guglielmo Marconi construiu uma das duas estações wireless norte-americanas em South Wellfleet. Em 18 de janeiro de 1903 ocorreu a primeira comunicação em código Morse entre a Europa e o Atlântico pela estação de Cape Cod. No Cape nasceu o primeiro programa mundial para salvamento e resgate marítimo, que se tornou o U.S. Life Saving Service em 1872, um serviço tão popular quanto a cavalaria dos EUA graças aos seus valorosos salva-vidas. O parque inclui praias, penhascos de areia formando dunas, depressões de areia, fossas de marés e planícies, pântanos salobros e terrenos herbáceos macios. No interior há lagos, piscinas naturais de água doce, campos de arando vermelho. A vegetação oferece pinheiros, arbustos de carvalhos e plantas herbáceas de areia. Comuns são bagas e ameixas de praia, bayberry e beach plum. Vinte e cinco espécies de fauna protegida. O parque é acessado por dois Visitor Centers, que incluem anfiteatros para filmes e documentários históricos e naturais, e dali o ranger parte para excursões e visitas guiadas. No Salt Pond Visitor Center de Eastham – aberto o ano todo – há também uma sala de cinema que exibe uma série de filmes históricos e naturais, belíssimos documentários que destacam diferentes temas ligados à história do parque e ao ecossistema da península, que tem apenas 18.000 anos de era glacial. É prerrogativa do centro organizar um calendário com intervenções de historiadores e escritores, tours por faróis – lendárias torres de vigia da costa do Massachusetts –, exploração das dunas de areia e do habitat que as caracteriza, caminhadas pelas longas praias de areia, visita a casas históricas e ao estilo de vida das famílias dos Cape Codders, assim como a descoberta de curiosidades do mundo marinho: focas e baleias, parte integrante da fauna do Cape. Almoço livre na Main Street de Provincetown antes de partir para o próximo vilarejo do Cape, Brewster. (51 km)

Art's Dune Tour
Art’s Dune Tour

Brewster

Fundada em 1656, Brewster hoje abriga não apenas belas praias, mas também antigas casas de capitães de mar – muitas transformadas em pousadas – e outros prédios históricos, lojas de antiguidades e alguns dos melhores restaurantes do Cape Cod. As estruturas históricas estão abertas ao público. A Brewster Historical Society é um ótimo lugar para começar e está alojada em uma casa de 1799, a Elijah Cobb House no Lower Road. A sociedade histórica também administra o moinho de 1795, Higgins Farm Windmill, agora deslocado para o Drummer Boy Park. O distrito histórico Brewster Old King’s Highway Historic District inclui muito território que circunda a estrada cênica Route 6A (Old King’s Highway); entre as atrações, a prefeitura de 1881 Old Town Hall, a biblioteca feminina de 1868 Brewster Ladies Library e um cemitério que data de 1707. A residência de 1659 Dillingham House é uma das mais antigas de Cape Cod. Finalmente, o antigo moinho Stony Brook Grist Mill and Museum.

Jante no Chillingsworth, por muito tempo considerado um dos melhores restaurantes do Cape Cod, que atrai amantes da gastronomia em um local com 300 anos de história; ou em alternativa no excelente antigo mercado de pescado, o Brewster Fish House.

10ª etapa: rumo a Plimoth Plantation

(75 km)

Plimoth Plantation: definido como um museu de “história viva”, pois reproduz a vida real na Plymouth do século XVII, a colônia Plimoth oferece a oportunidade de viajar no tempo para experimentar como realmente se vivia naquela época. Você conversará com os pais peregrinos lidando com as tarefas diárias, encontrará membros da tripulação que ajudaram a conduzir o navio Mayflower até seu destino histórico em Plymouth, e conhecerá diretamente os habitantes originários desta terra, que contarão como a chegada dos colonos mudou a existência de seus ancestrais, os Wampanoag, “o povo da aurora.” Pense como seria diferente sua vida se, de repente, você estivesse na pele dos pais peregrinos ou dos índios.

Plimoth Plantation ©MOTT
Plimoth Plantation ©MOTT

Pais Peregrinos

Os pais peregrinos na aldeia nada sabem do futuro. Ouça os vários dialetos que refletem as origens. No vilarejo, você estará rodeado por casinhas simples de madeira, jardins e hortas cultivadas, animais de fazenda e habitantes encantadores em trajes de época, pertencentes à Plymouth Colony, o primeiro assentamento inglês na Nova Inglaterra. As pessoas que você encontrará são atores interpretando os habitantes, em trajes cuidadosamente recriados como na época, que narram exatamente as histórias de seu período de vida e história: são os Peregrinos “Pilgrims”. Cada um tem sua história para contar. Você poderá aprender sobre as dificuldades no início da colônia ou descobrir fofocas do vilarejo. Pode questioná-los sobre religião e suas crenças, protestantes fugindo da Inglaterra, ou sobre práticas médicas e relações com os índios nativos Wampanoag. Se conversar com uma dona de casa, aprenderá o que é um “pottage” ou verá como assar um pato ou peixe no forno. Você também poderá ajudar um jovem colono a semear um pequeno campo, contribuir na construção de uma casa, ou simplesmente relaxar em um banco, mergulhando na atmosfera única da New Plymouth do século 17. O museu reproduziu cuidadosamente cada peça que verá e tocará. Até a comida é preparada como se fazia no século XVII.

Sua visita é autoguiada, com mapa em mãos, e você entrará no ano de 1627: sinta-se livre para explorar o vilarejo à vontade. Não fique intimidado se encontrar um colono enquanto ele almoça, pelo contrário, pare para fazer perguntas ou junte-se a uma animada conversa que acontece numa das ruas do vilarejo. A maioria dos objetos e ferramentas nas casas são reproduções modernas de antigos exemplares e podem ser tocados.

O único detalhe – talvez difícil para um italiano – é a linguagem usada no vilarejo: você precisaria ser um especialista em Shakespeare para se sentir à vontade na conversa. Ouse: veja qual reação terá! Talvez, se contar que é italiano, o Peregrino citará a família Medici e falará sobre Florença, ou simplesmente olhará para você como um espécime católico. A oportunidade de fazer uma experiência única em um vilarejo do século XVII, com uma perspectiva verdadeiramente inglesa, fará você entender quão crucial foi a travessia do Atlântico naqueles tempos. Você se surpreenderá ao ouvir essas pessoas!

Índios Wampanoag

Já os que você encontrará no acampamento dos índios Wampanoag contam o passado, mas sua história é narrada pela perspectiva atual. Você poderá entrar em uma casa tradicional wetu e fazer parte de um mundo que certamente não é familiar para você. Peles, fogueiras acesas, esteiras trançadas à mão: este é o ambiente da típica família indiana dos Wampanoag quando chegaram os Pais Peregrinos. Eles o transmitem de seu ponto de vista, o dos indígenas. Caminhe por essa área natural e você sentirá o aroma do sobaheg (um ensopado) enquanto cozinha no fogo junto das ervas aromáticas. Você descobrirá plantas medicinais, remédios típicos usados pelos nativos Wampanoag, e poderá ajudar na construção de uma canoa escavada de um tronco – uma mishoon (barco) usando as antigas técnicas seculares. Também poderá passear pelas margens das águas tranquilas do Eel River. Os Wampanoag vivem no sudeste da Nova Inglaterra há mais de 12.000 anos. O acampamento revive sua história e permite contato com Hobbamock, um membro da tribo que lhe ensinará a cultura e história dos Wampanoag. Você poderá negociar com os Wampanoag, indígenas que viveram nesta terra muito antes da chegada dos colonos ingleses, por centenas de gerações. É importante notar que – ao contrário dos costumes e intérpretes do vilarejo dos colonos – aqui não são atores interpretando indígenas, mas nativos originais que vestem peles de veado e falam sua língua nativa atual, falando de seu povo, os Wampanoag.

Wampanoag
Wampanoag

O museu é dividido em duas áreas distintas e separadas:

  • A Plimoth Plantation fica a cerca de cinco quilômetros do centro da cidade de Plymouth
  • O Mayflower II está ancorado no porto de Plymouth

No Visitor Center você encontrará uma grande variedade de exposições, restaurantes, banheiros e a principal loja do museu, que inclui uma seção com artigos infantis e outra de alimentos da época. No Crafts Center (Centro artesanal da cocheira) você encontrará os artesãos trabalhando, criando a reprodução de peças para os locais históricos de Plimoth Plantation. Há possibilidade de almoçar na Plantation, que dispõe de cafeteria.

Continuação para Boston onde termina a viagem e se conclui a experiência dos parques, jardins e residências históricas desta América imersa na história e suas tradições.

©Thema Nuovi Mondi

Mapa do roteiro na Nova Inglaterra

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