O centro histórico de Nápoles, patrimônio da Unesco, reúne três mil anos de história e é o maior da Itália (até maior que o de Roma). Sua peculiaridade consiste na preservação quase total do traçado viário da época grega, datado do século VIII a.C., ainda em uso hoje. São os chamados Decumani.
Para entrar imediatamente em sintonia com a alma de Nápoles, é essencial começar com uma exploração aprofundada dos Decumani, correspondentes às ruas da Sapienza, da Anticaglia e dos Santos Apóstolos (Decumano Superior), via dei Tribunali (Decumano Maior) e Spaccanapoli (Decumano Inferior). Essas ruas, e as vielas e praças interconectadas a elas, guardam muitos tesouros, grandes e pequenos: antes de tudo os edifícios religiosos, como a Catedral de São Januário, a Capela Sansevero (com seu Cristo Velado) e o Mosteiro de Santa Clara. Mas também é possível admirar vestígios da Neápolis grega e romana, a arte popular dos murais, ou os belos palácios, às vezes em condições um pouco precárias, mas com portais e escadarias de incrível fascínio.

A Nápoles mais nobre e de cartão-postal é a da Piazza del Plebiscito, com o Palácio Real e o Maschio Angioino, a Galeria Umberto I e o Teatro San Carlo. Este último é visitável com tours guiados aos finais de semana. Mas obviamente a melhor maneira de apreciá-lo é assistindo a uma apresentação de ópera, balé ou a um concerto de música clássica. E depois o bairro art nouveau de Nápoles que merece a viagem.
Até aqui apenas a superfície de Nápoles. Mas a cidade também tem um surpreendente rosto subterrâneo que vale a pena explorar para entender mais profundamente sua história e evolução. Existem vários tours de Nápoles subterrânea. O que provavelmente oferece uma visão geral mais completa é o Percurso Oficial da Nápoles Subterrânea, que começa na Piazza San Gaetano, no número 68. Sempre permanecendo no subterrâneo, ao viajar de metrô vale a pena observar suas estações, que foram transformadas em instalações artísticas.

Por fim, não pode faltar uma visita ao Museu Arqueológico de Nápoles, considerado um dos museus arqueológicos mais importantes do mundo no que diz respeito à arqueologia romana. Sua visita é indispensável para excursões a Pompéia e Herculano, pois abriga numerosos artefatos provenientes dessas cidades, entre eles mosaicos e pinturas.

O que comer em Nápoles
O prato nacional de Nápoles é a pizza e a Via dei Tribunali foi apelidada por muitos de “Rua da Pizza Napolitana” pelo grande número de pizzarias que nela se encontram. Entre elas está a de Gino e Toto Sorbillo, descendentes de uma das famílias mais antigas de pizzaiolos em Nápoles. Os avós de Gino, que abriram uma pizzaria na Via dei Tribunali em 1935, tiveram vinte e um filhos, que depois tornaram-se todos pizzaiolos. A pizza de Gino e Toto Sorbillo é a “dos becos pobres da cidade, ou seja, maior, generosa e acessível a todos”. Outra instituição é a Antiga Pizzaria da Michele. Para manter ao máximo a tradição, ela oferece apenas duas pizzas, a margherita e a napolitana, preparadas com os melhores ingredientes disponíveis na região.
Por fim, o street food da Campânia é uma experiência gastronômica imperdível. As principais especialidades são o’ cuoppo, cone recheado com delícias fritas (peixes, batatas ou pequenas mozzarellas), a pizza a carteira, a pizza frita, a fritatina de massa e o panuozzo, uma mistura entre pizza e sanduíche.

A Costa Amalfitana é o trecho da costa da Campânia, localizado ao sul da península sorrentina, que se abre para o golfo de Salerno. É um trecho de costa famoso em todo o mundo por sua beleza natural e é sede de importantes destinos turísticos, como Positano. Recebe o nome da cidade de Amalfi, núcleo central da Costa não apenas geograficamente, mas também historicamente, pois foi uma das Repúblicas Marinhas. A beleza da costa foi descoberta no século XIX, durante o Grand Tour. Após a Segunda Guerra Mundial, tornou-se um dos destinos de férias do jet set internacional.
A melhor maneira de se deslocar entre os locais da Costa é com os ferries que partem da Piazza della Concordia, em Salerno, ou é recomendado alugar um barco a motor, desde que se possua a carteira náutica.

As cidades de Pompéia e Herculano, sepultadas pela erupção do Vesúvio em 79 d.C., merecem um dia de visita cada uma. São facilmente alcançáveis a partir de Nápoles, utilizando a linha Circumvesuviana, com partida da estação de Porta Nolana.
A antiga Pompéia foi enterrada sob uma camada de cinzas e pedras-pomes. As escavações, iniciadas por ordem de Carlos III de Bourbon, permitiram trazê-la completamente à luz. Portanto, lá se encontram todos os tipos possíveis de edifícios presentes nas cidades romanas: residências privadas, fóruns, locais artesanais e comerciais, edifícios para espetáculos, termas e templos.
A cidade de Herculano foi, por sua vez, um local de férias para a aristocracia romana, como atestam as diversas villas como a Villa dos Papiros. Foi completamente sepultada sob uma camada de lama e materiais piroclásticos após a erupção do Vesúvio: essa camada, com o passar dos anos, solidificou-se, formando uma superfície de rocha semelhante ao tufo, porém mais macia, que protegou os restos da cidade, embora tenha tornado as escavações arqueológicas mais difíceis. O teatro, em particular, ainda está enterrado e, quando aberto ao público, é acessível por meio de uma série de túneis da época Bourbon.
Durante esses primeiros quatro dias, é possível pernoitar em Nápoles e, para deslocamentos, pode-se utilizar o transporte público. Ao final do quarto dia, recomenda-se alugar um carro e transferir-se para Salerno para a segunda parte da viagem.

No Cilento e Vallo di Diano, três são os sítios selecionados pela Unesco como patrimônio da humanidade: Paestum, Velia e a Cartuxa de Padula.
Paestum é uma colônia da Magna Grécia, fundada pelos Síbari. A extensão de seu povoado, cercada por suas muralhas gregas, ainda hoje é bem reconhecível. Paestum é conhecida principalmente pelos seus templos, milagrosamente preservados em excelentes condições, tanto que são considerados exemplos únicos da arquitetura magno-grega. O museu local reúne uma notável coleção de artefatos encontrados nas áreas ao redor de Paestum, principalmente os ajuares funerários provenientes das necrópoles gregas e lucanas. Incontáveis são os vasos, as armas e as lajes tumulares pintadas, entre as quais a mais famosa é a do Mergulhador.
Também Velia era uma colônia grega, fundada pelos exilados fócios que fugiam de sua terra ameaçada pelos persas. A área arqueológica conserva, portanto, restos da cidade grega e o mais conhecido é a Porta Rosa, o exemplo mais antigo de arco pleno na Itália, datado do século IV a.C.
A Cartuxa de São Lourenço em Padula é a primeira cartuxa a ser construída na Campânia, no início do século XIV. Sua reforma barroca do século XVII a transformou em um dos complexos monumentais barrocos mais suntuosos do sul da Itália, bem como uma das maiores cartuxas da Europa.

As últimas etapas do tour são Benevento e Caserta.
Em Benevento encontra-se o complexo monumental de Santa Sofia, que faz parte do sítio serial “Lombardos na Itália: os lugares do poder”. Desenvolve-se em torno da igreja, construída em 760 pelo duque lombardo Arechi II. O mosteiro anexo, cuja parte mais notável é o claustro, abriga o Museu do Sannio que possui, entre outros, uma notável coleção de achados arqueológicos, incluindo muitos restos de um templo de Ísis localizado na cidade.
O monumento mais conhecido de Caserta é indiscutivelmente O Palácio Real, conhecido como Reggia de Caserta, mandado construir em meados do século XVIII por Carlos de Bourbon que, tomado por um senso de competição com os reis franceses e desejoso de dotar Nápoles de estruturas capazes de desempenhar o papel de cidade-capital em nível europeu, decidiu inaugurar um palácio que pudesse rivalizar em magnificência e imponência com o de Versalhes. A reggia, considerada a última grande realização do barroco italiano, é um grandioso complexo de 1.200 salas. O parque se estende por 3 quilômetros de comprimento, em 120 hectares de área.

Menos famoso que a reggia, mas digno de uma visita é o complexo de San Leucio. A colina homônima foi comprada em 1750 por Carlos III de Bourbon com a intenção inicial de torná-la uma reserva de caça e residências secundárias para o lazer da família real. Posteriormente, Fernando IV instituiu ali uma fábrica para manufatura de seda e fez dela a ponta avançada de sua política industrial: um centro manufatureiro para sua população, que posteriormente tornou-se uma colônia regida por um código especial de leis. As produções de San Leucio ainda hoje fazem bela exposição no Vaticano, no Quirinal, na Casa Branca e no Palácio de Buckingham.

O vinho do Sannio
Benevento é a despensa do vinho campano: sua área produz sozinha mais da metade do produto DOC e IGT de toda a região. O vinho mais conhecido da área é provavelmente a falanghina, uma uva branca autóctone de sabor frutado. A primeira garrafa de falanghina foi produzida em 1979 pela Cantina Mustilli de Sant’Agata dei Goti, que resolveu apostar em uma casta que na época era destinada somente à destilação. Inútil dizer que a aposta foi amplamente vencida, como testemunham os inúmeros reconhecimentos obtidos pelas falanghinas Mustilli e a difusão que esta casta teve na área de Sant’Agata nas décadas seguintes. A adega histórica da empresa Mustilli, escavada a 15 metros de profundidade sob o palácio da família, está aberta para degustações e visitas.


