No Alto Adige, também conhecido como Südtirol, encontra-se o Vale Aurina: 200 quilômetros quadrados, de Lutago a Predoi, com nada menos que 80 picos que ultrapassam os 3000 metros. O Vale Aurina é o paraíso do esqui com 70 quilômetros de pistas, os domínios de Speikboden e Klausberg. Ao redor, atividades infinitas para o inverno e o verão: patinação, curling e raquetes quando reina o gelo; freeride, alpinismo e caminhadas em alta altitude quando a neve dá lugar ao incrível verde alpino.
Este é o reino da mountain bike, ideal tanto para os apaixonados por duas rodas (que podem pedalar em trilhas que chegam a 1500 metros de altitude e além), quanto para famílias que querem desfrutar de panoramas emocionantes e se divertir em trilhas fáceis na planície.
O que ver no Vale Aurina
O vale é acessado por uma entrada magnífica: é Campo Tures, que conquistou a Bandeira Laranja do Touring Club como uma vila acolhedora e excelente. Porque aqui a hospitalidade está em pé de igualdade com o esplêndido trabalho da natureza, que nessas subidas rumo ao céu deu o seu melhor: pelo ar realmente puro, como demonstra o Centro Climático de Predoi, pelos panoramas que encantam os olhos, começando pelo Parque Natural das Vedretas de Ries, pelas trilhas iluminadas, como o Sentiero del Sole entre Lutago e San Pietro, pelas águas sempre em movimento, como na cachoeira de Rio Nero, e pelas águas tranquilas e acolhedoras, como o lago de Chiusetta em Klausberg, Cadipietra. MAS não para por aí: em Predoi encontra-se uma antiga mina de cobre desativada, que se tornou um moderno centro climático. Aberta em 2003, a galeria climática de Predoi é o primeiro centro italiano de espeleoterapia, pois preserva um ar puríssimo, um verdadeiro elixir para a saúde dos pulmões e brônquios, um remédio eficaz para quem sofre de distúrbios respiratórios, como alergias e asma. O ambiente, confortável e relaxante, permite ler, ouvir música ou dormir, enquanto a “respiração subterrânea” traz seus efeitos benéficos.
Este pequeno vale secreto, onde se pode ser abraçado pelas montanhas, preserva com cuidado também tradições antigas: o paciente bordado em renda de bilros, a laboriosa entalhe em madeira, a tutela das malgas e dos refúgios, o retorno do gado ao pasto alpino, rituais que continuam, imutáveis, e revivem no paladar alto-atesino moderno também na culinária, que resgata queijos genuínos reconhecidos como presídios Slow Food e vinhos fortes como os Alpes, ideais para umas férias dos sentidos. Mas também da mente: capelas e castelos, entre os quais um dos melhor conservados da região, o Schloss Taufers, museus fascinantes como o das Minas de Cobre em Predoi, pedaço do coração da montanha em que se entra com um trenzinho, é fácil perder-se na história de um vale que não é só esqui.
O Sentiero del Sole
O percurso do Sentiero del Sole dura cerca de 7 horas mas não é necessário fazê-lo todo de uma vez. Porque além do caminho principal, existe toda uma rede de trilhas temáticas de curta duração, pensada para não perder nenhum dos milagres do Vale. O percurso do Sentiero del Sole segue os passos dos contrabandistas do passado, presenteando com o arco-íris das cachoeiras ou degustando o sabor das fazendas alpinas.
Os percursos Kneipp no Vale Aurina, no coração das Dolomitas
Os Percursos Kneipp, nomeados em homenagem ao alemão que primeiro experimentou suas propriedades, são excepcionais. São caminhadas na água que fazem as pernas se sentirem leves, um verdadeiro percurso de saúde para problemas circulatórios.
Para esses trajetos de hidroterapia são necessários pés descalços, seixos de rio para caminhar, água gelada para reativar a circulação sanguínea e, claro, o Vale Aurina que é extremamente rico nesse elemento. Aqui, no ponto mais ao norte da Itália no Alto Adige/Südtirol, bem no centro das Dolomitas, a água é um elemento perfeito e abundante, tanto que o nome do vale parece derivar justamente de “Awerina”, um termo pré-romano que indicava água corrente. Então, na região turística de Plan de Corones, que vai de Lutago a Predoi, caminhar descalço faz bem. É possível percorrer quilômetros e mais quilômetros com pausas refrescantes e gratuitas.
Os Sentieri del Rio Bianco
Para sentir-se leve imediatamente, pode-se testar o passeio que começa em Rio Bianco, uma pequena vila montanhosa onde se retoma o tempo para cuidar de si. Daí partem os Sentieri da Saúde, um remédio contra as modernas doenças cardiocirculatórias, cuja causa primária é o sedentarismo e o excesso de estresse. Neste percurso, os três pilares da terapia Kneipp encontram seu lugar. Há uma parte dedicada à fitoterapia, é o Jardim das Ervas, um caminho exposto ao sol em meio à floração de plantas selvagens montanhesas. Depois, o Sentiero de atividade física, que segundo Kneipp (e não só) serve para fortalecer o corpo se alternado com momentos prazerosos de descanso. Finalmente, o percurso Kneipp propriamente dito: uma piscina, uma escada Kneipp na floresta e cachoeiras que funcionam como aerossol natural. Tudo imerso no verde de uma natureza que respira ar limpo e puríssimo.
O Sentiero de San Leonardo
Existe ainda uma caminhada especial, que se desenrola ao redor de San Giacomo e, passando por bosques e prados, retorna ao ponto de partida em pouco mais de uma hora e meia. Dedicado a San Leonardo, segue a antiga via dos moinhos, testemunhos ainda vivos e funcionantes de quanto a água é parte da vida no Vale Aurina. Neste percurso que qualquer um pode enfrentar, protegido pela tranquilidade das Dolomitas, encontra-se um dos mais conhecidos equipamentos Kneipp, com uma acolhedora piscina de água especialmente adaptada para repousar pés e pernas cansados. E para imergir também os braços, para uma sensação total de leveza.
O Percurso da Saúde em Predoi
Estamos no parque natural das Vedretas de Ries – Aurina, 1400 metros acima do nível do mar, na primeira “vila da saúde do Alto Adige/Südtirol”, onde o ar, a água e o verde contribuem, segundo os especialistas, para fortalecer as defesas naturais. São 5 quilômetros de natureza os do Percurso da Saúde em Predoi, uma caminhada simples que parte do célebre Centro Climático e chega até a casa do Parque Natural em Casere. No meio, a cachoeira Röt, uma pausa refrescante e saudável que, graças aos íons negativos da água pulverizada no ar, estimula o sistema imunológico e ajuda a combater asma e alergias. E depois o lago Kneipp, local de energia onde se reencontra o bem-estar perdido. Um bem-estar que vem de um elemento simples e primordial: a água, aqui ainda limpa e milagrosa, como antigamente.
O Vale Aurina de bicicleta
Com uma extensão de 200 quilômetros quadrados de Lutago até Predoi, emoldurados por oitenta picos que atingem os três mil metros, o Vale Aurina, região turística de Plan de Corones, pode ser definido, sem medo de exagerar, como um paraíso para ciclistas de todas as raças e tipos.
Entre os muitos itinerários possíveis, quem ama pedalar com tranquilidade por trilhas fáceis ou de nível médio não pode perder a oportunidade de acelerar as rodas no passeio panorâmico Ahrtour “Brunico-Casere”, com saída de Brunico ou de Casere, que atravessa a campina aberta e bosques esplêndidos, margeando o rio Aurino e transformando-se, pouco a pouco, numa viagem para descobrir as aldeias de Campo Tures, San Maurizio e Predoi, entre capelas e castelos. Os mais experientes, com uma boa dose de quilômetros nas pernas, encontram desafio no circuito “Ameisberg“, de Predoi a Casere, capaz de encantar os olhos, o coração e o paladar com sua vista panorâmica até o Pico da Itália e com várias possibilidades de paradas em malgas tradicionais do Vale Aurina. E, usando os teleféricos Klausberg e Speikboden – graças aos quais, sob pedido, as bicicletas podem ser transportadas até 2000 metros – é possível até mesmo pedalar em alta montanha, para depois descer ao vale. Muito apreciado é, em particular, o passeio que leva a Michlreis, com uma vista encantadora das montanhas ao redor, justificando o esforço e o suor. Outra atração dos itinerários íngremes é a possibilidade de alcançar de mountain bike, por estradas florestais ou de montanha, várias malgas especializadas na culinária tradicional, muitas vezes equipadas para recarregar e-bikes.
Para quem, desorientado por uma escolha tão ampla, prefere confiar nos especialistas do guidão e do selim, o grupo Ahrntal Aktiv organiza todo verão excursões de bicicleta para todos os níveis, combinando-as com outras experiências alpinas, como a escalada.
Mas essas são apenas algumas das infinitas possibilidades para descobrir o Vale Aurina de bicicleta. A densa e capilar rede de ciclovias, que se estende por um total de 300 km e atravessa vilas e cidades – passando também pelas 13 estações sensoriais espalhadas como pequenas e contínuas surpresas ao longo do trajeto – leva até Lienz no Tirol oriental e é uma porta de entrada para o Vale Aurina, o Vale de Anterselva e o Vale Casies. Não é necessário chegar preparado, porque é o próprio Vale Aurina que recepciona, com a MobilCard, um bilhete combinado para usar trem, ônibus e bicicletas disponíveis em nada menos que 30 pontos de aluguel, que frequentemente oferecem também a possibilidade de devolver a bicicleta em pontos conveniados na chegada ou de montar numa e-bike – em Casere, Cadipietra, San Giovanni, Lutago, Campo Tures e Brunico – para pedaladas sem preocupações e sem suor, num universo de panoramas feitos de parques naturais, lagos e cachoeiras.
Férias ativas no Vale Aurina
Para quem tem espírito aventureiro, o topo é o enorme parque de aventura Kron-Action, o maior do Alto Adige, com muitos percursos de escalada em árvores para adultos e crianças, desde 1,5 metro até altíssima altitude para os mais corajosos, vivendo a emoção de caminhar nas árvores com segurança. Ou, mais clássico mas sempre emocionante, quatro horas de rafting no rio Rienza na Baixa Val Pusteria. Para aumentar ainda mais o ritmo cardíaco, pode-se se lançar de uma plataforma suspensa para outra, pendurado numa polia, com os pés no vazio em direção a San Vigilio: não por acaso chama-se Adrenaline X-treme Adventures e é a tirolesa mais longa da Europa. E ainda em alta velocidade, há o Alpine Coaster Klausberg Flitzer, ou seja, as montanhas-russas alpinas mais longas e espetaculares da Itália, um trenó sobre trilhos de tirar o fôlego.
Para quem tem um espírito mais Heidi e adoraria ficar sempre no meio dos prados observando a natureza em movimento, aqui vai outra série de propostas atraentes. Como a caminhada ao nascer do sol em San Martin para observar animais selvagens quando o amanhecer colore os vales de rosa, experiência que pode ser vivida também em Terento com caçadores experientes que conhecem os locais onde vivem os camurças e marmotas. Ou então encher os olhos de panoramas incomparáveis, caminhando de malga em malga em Speikboden, uma área que leva o nome do Speik, uma pequena mas resistente flor montanhosa que cobre os prados com seu violeta intenso.
O Vale Casies é outra excursão magnífica, feita de vastos espaços verdes, com colinas suaves aos pés de montanhas rochosas imponentes, enquanto para os amantes do nordic walking, a saída é de Valdaora, para caminhadas em alta altitude ou mais tranquilas: aqui, aos pés do Plan de Corones, a escolha é grande. É, de fato, o maior parque da Europa dedicado a essa atividade esportiva, com mais de 275 km de trilhas, entre Falzes, Brunico, Valdaora e Rasun.
Ou, para tocar com as mãos a história e o esforço, uma visita ao último dos seis museus organizados por Reinhold Messner e dedicados à montanha, o MMM Corones. Em uma estrutura que oferece uma vista espetacular das grandes paredes das Dolomitas e dos Alpes, como um terraço que observa o poder da natureza, o museu percorre a história do alpinismo. E daqui, uma excursão a Corones, com os olhos voltados às torres rochosas que parecem tocar o céu. Para terminar com uma atividade energizante: chama-se “A natureza sob os pés”, é um percurso Kneipp em Valle Anterselva para recarregar as baterias do corpo entre água e terra.

As minas do Vale Aurina
Entrar na mina e respirar o ar mais saudável que existe na natureza. Parece uma contradição, mas no Vale Aurina tudo é possível. Porque aqui, no extremo norte do Alto Adige/Südtirol, está o Centro Climático de Predoi, único paraíso italiano da espeleoterapia. Ou seja, uma forma de suporte à respiração que se pratica a 1100 metros no coração da montanha, em cavernas naturais e minas abandonadas, uma terapia que, aproveitando o microclima benéfico, ajuda em casos de fraquezas das vias respiratórias, desde asma a sinusite, de alergias a enfisema pulmonar. Um tratamento adequado para crianças e adultos, com apenas uma recomendação: vestir-se bem, pois a temperatura é bastante baixa, constante em 9 graus. E nada mais: apenas respirar.
“Eu respiro” é o lema do Centro, onde sentado na caverna em uma cadeira confortável e coberto por um saco térmico, se ouve música, se lê e se espera que o ar puro, livre de pólens e alérgenos, faça seu efeito, uma hora e meia por dia com uma enfermeira para cada necessidade. E para os mais pequenos, um grupo de animadores experientes propõe jogos e atividades.
Assim, aquilo que antes era uma mina de cobre que dava trabalho a esta região tão pobre no passado, mesmo fechada não deixa de oferecer recursos. Até mesmo turísticos, pois a espeleoterapia em Predoi pode ser a oportunidade de mergulhar no passado. Uma história de trabalho duro e dramas que dura 500 anos, a do Museu do Cobre de Predoi, que exala poeira d’água entre os reflexos azulados do minério, em uma das excursões mais famosas do Vale Aurina, amada por crianças e adultos pelo senso de aventura e o salto para um tempo que não existe mais. Na entrada da galeria de St. Ignaz ainda há uma casa de mineiros, chamada “do topógrafo”, que mostra como era a vida de quem via tão pouco a luz do dia. Depois, com capacete e capa amarela, sobe-se a bordo do trenzinho que antigamente transportava braços e picaretas para longos dias de trabalho, e percorrendo os trilhos vai-se direto ao coração da montanha, com um trecho no escuro exatamente como antigamente para depois entrar a pé nos túneis e buscar um pouco do cobre que restou.
Os Museus do Vale Aurina
O Vale Aurina guarda museus interessantes da tradição que contêm objetos curiosos e valiosos. Ideais para visitar em qualquer período, mesmo que sejam certamente uma alternativa a o que fazer no Vale Aurina quando chove ou não se esquia ou não é possível caminhar por trilhas.

