Após a morte em 1226 e após a canonização de São Francisco, o papa Gregório IX colocou a primeira pedra no terreno que veria a construção da “specialis ecclesia”. A Basílica consagrada em 1253 por Inocêncio IV é composta pela sobreposição de duas igrejas, inferior e superior, que correspondem a duas fases construtivas distintas, nas quais se unem elementos do românico umbro com a linguagem gótica de ascendência francesa. Foi iniciada em julho de 1228 e concluída em 1230, quando foi trasladado o corpo do Santo. O projeto evidencia a dupla função: a igreja inferior destinada a se tornar cripta e a superior para pregação. O aparato decorativo das duas igrejas representa o mais importante complexo pictórico da arte dos séculos XIII e XIV; de fato, entre os mais eminentes artistas dos séculos XIII e XIV italianos trabalharam ali, começando por Cimabue, Giotto, Simone Martini, Pietro Lorenzetti, Jacopo Torriti e outros. A fachada da igreja superior é caracterizada por linhas simples e coroada por um frontão triangular segundo o gosto gótico local. O portal geminado e, ao centro do registro mediano, o rosáceo de formas cosmatescas entre os símbolos dos Evangelistas em relevo. Ao lado esquerdo, a loggia das Bênçãos construída em 1607. Igreja inferior: o acesso se dá por um portal da segunda metade do século XIII; o interior apresenta planta em cruz egípcia com ábside semicircular e curto transepto abobadado com berço. A simples nave é composta por quatro tramos com abóbadas de cruzaria rebaixadas. Nos lados de cada tramo abrem-se arcos de ogiva que dão acesso às capelas laterais abertas nos dois lados longos e nas cabeceiras do transepto. Afrescos do Mestre de São Francisco: realizados por volta de 1253 e de grande interesse iconográfico, são atribuíveis ao pintor chamado Mestre de São Francisco, de origem umbra influenciado pela personalidade de Giunta Pisano. Capelas laterais à direita: I capela de São Luís ou São Estêvão com afrescos de Doni e Giorgetti com quadrifório obra de Giovanni di Bonino e colaborador. Na passagem para a seguinte capela de São Lourenço, afrescos da segunda metade do século XIV. II capela de Santo Antônio de Pádua com afrescos de Sermei com quadrifório obra de mestres giottescos e de Giovanni di Bonino. III capela, da Madalena, afrescos executados por Giotto e seus colaboradores. No presbitério, o altar-mor é obra de marmoreros romanos. Nas quatro faces da abóbada, os afrescos representando as Alegorias das Virtudes franciscanas e a Glória de São Francisco, datáveis dentro da primeira vigência do século XIV. O braço direito da cruz é coberto por duas faixas de decoração a afresco obra dos colaboradores de Giotto sob direção do mestre; na primeira faixa da direita obra de Cimabue, Madona com Menino em trono, quatro anjos, São Francisco e outros afrescos; na segunda faixa da direita, Crucificação obra de Giotto e outros afrescos. Capela de São Nicolau com afrescos dos discípulos de Giotto. O braço esquerdo da cruz está inteiramente decorado por afrescos realizados entre 1315 e 1320 por Pietro Lorenzetti e ajudantes. Capela de São João Batista com afrescos de Pietro Lorenzetti representando a Madona com o Menino e os santos São Francisco e São João Batista e bifória que apresenta características cimabuescas e romanas. Acima da tribuna ao fundo da nicho, afrescos atribuídos a Puccio Capanna. A capela de São Martinho é decorada por afrescos inteiros de Simone Martini, entre 1312 e 1320. No arco de entrada, são representados Santos e Santas e no restante da capela Histórias de São Martinho. Igreja superior: com uma nave de quatro tramos, transepto e ábside poligonal, inteiramente coberta por abóbadas de cruzaria ogival sustentadas por nervuras que terminam em pilastrinhos agrupados. A luminosidade do ambiente é conferida pela presença de grandes bifórias tanto na nave quanto no ábside, além da presença de quadrifórias. As soluções arquitetônicas adotadas são derivadas do Gótico estrangeiro que encontra na igreja uma aplicação fiel, mantendo características da tradição italiana. O transepto e ábside são inteiramente decorados por um vasto ciclo de afrescos realizados por Cimabue a partir de 1277. No braço esquerdo da cruz, Crucificação, seguem cinco cenas apocalípticas. Os afrescos do ábside representam as Histórias de Maria. O braço direito da cruz apresenta os Fatos da vida de São Pedro, obra de vários mestres ligados a Cimabue. A Cimabue também são atribuídos os afrescos da cruz representando os Quatro Evangelistas. Na altura do terceiro tramo, na abóbada do tramo, afrescos de Jacopo Torriti; na altura do primeiro tramo, os quatro doutores da Igreja, atribuíveis a vários mestres entre os quais o Mestre de Isacco e o Mestre da Captura. Nas paredes da nave, acima do balcão e ao lado das janelas, Histórias do Antigo e Novo Testamento atribuídas a Jacopo Torriti, ao Mestre da Pentecostes, ao Mestre da Captura e ao Mestre de Isacco. No registro mais baixo da nave, em três cenas divididas cada uma por falsas colunas torcidas unificadas por uma falsa mensula e pelo teto com caixotões, desenvolvem-se as vinte e oito Histórias de São Francisco de Giotto e de outros autores como o Mestre de Isacco, o Mestre da Captura, o Mestre do Crucifixo de Montefalco e o Mestre de Santa Cecília. O ciclo se inspira na Vida (Legenda maior) de Boaventura de Bagnoregio.
Informações sobre Basílica de São Francisco
Praça São Francisco,
06081 Assis (Perugia)
075819001
[email protected]
https://www.sanfrancescoassisi.org
Fonte: MIBACT

