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O que ver no Lido de Veneza

Veneza fica em frente, a apenas dez minutos de vaporetto, mas parece distante, desfocada pelas atmosferas relaxadas e agradavelmente desbotadas do que, para um veneziano, é a praia por excelência: o Lido.

Lido di Venezia
Maurizia Ghisoni
7 Min Read

O Lido de Veneza é uma faixa de terra com 12 km de comprimento e um km de largura, que só pega fogo uma vez por ano, durante a Mostra Internacional de Cinema, e depois volta ao seu ritmo habitual, sorrateira e discreta, como gostaram George Byron, Thomas Mann e Henry James, e como querem seus habitantes, para os quais o Lido é uma espécie de ventre materno quente e reconfortante, um pedaço acolhedor de viver bem, que nunca trocariam pelo continente.

Vivendo o Lido de Veneza

Os símbolos dos antigos fastos sociais estão todos presentes (desde os famosos clubes de praia do lungomare Marconi aos luxuosos hotéis que, na Belle Époque, receberam cabeças coroadas e personagens ilustres), mas em Veneza Lido é agradável também vir para participar dos pequenos ritos diários dos moradores e descobrir os sabores genuínos, oferecidos pelo mar, pela lagoa e pelas grandes hortas, que os Murazzi protegem das ressacas.

Falando em ritos, aqui como em Veneza, domina o do spritz, o típico aperitivo vermelho ou laranja, que cada barman prepara segundo seus segredos (a base é sempre vinho branco e água com gás) e serve com azeitonas grandes e carnudas para suavizar o vigor alcoólico. Um dos melhores pode ser saboreado confortavelmente sentado nas mesas do caffè Garbisa, na Gran Viale, observando o relaxado vai e vem desta que é a rua mais elegante da ilha.

O que ver no Lido de Veneza

A Riviera San Nicolò, na ponta leste, não fica longe; com a igreja e o mosteiro milenar imersos no verde, vigia silenciosamente a lagoa, enquanto em frente, na ilha de Sant’Andrea, a estrutura imponente do forte do século XVI conta a habilidade e astúcia defensiva da Sereníssima.

Do cais começa a via Sandro Gallo, que corta longitudinalmente a ilha por um longo trecho, revelando um cenário de vilas em estilo liberty, pequenos portos, fileiras de plátanos e canais, até Malamocco. Um passeio magnífico também para quem ama bicicleta. No início do caminho, está a perfumada padaria da Cristina Serafin, onde, além de pães dourados e pãezinhos comuns, se destacam e fazem sucesso pães ácidos de fibras vegetais, como o de centeio maltado; pães aromatizados com kummel; com cereais integrais, sementes de linhaça e girassol, pães achatados ázimos e muito mais.

Onde comer no Lido de Veneza

Em frente, fica o Bar Trento, um dos estabelecimentos mais antigos do Lido, com quase um século, templo indiscutível do cicheto, que consiste em uma série de pequenos e saborosos petiscos tradicionais, acompanhados pelo imprescindível ombra (copo) de vinho tirado direto do barril. Quem faz as honras da casa são Stefano Capitanio, seu irmão Guido e as respectivas esposas, que nunca deixam faltar para os clientes fiéis lulas e polvinhos cozidos, salada de polvo com camarão, sardinhas fritas ou em saor, bacalhau cremoso, corações de alcachofra refogados, musèto (linguiça cozida) e especialidades cada vez mais difíceis de encontrar, como barbusa e tettina calda, respectivamente, queixo e mama de vaca cozidos; penduricalhos de touro marinados no leite, empanados e fritos e sguazzetto alla bechera, uma sopa preparada com cerca de uma dúzia de tipos diferentes de carne, cozidas separadamente.

Tudo regado a vinhos rigorosamente venezianos, como Merlot, Malbech, Lison, Prosecco e o Vin da Mar, um rosé perfeito com o bacalhau. O local, antes frequentado principalmente por pescadores e catadores de amêijoas, manteve um clima acolhedor, graças às alegres toalhinhas xadrez, guardanapos com um fumetto desenhado por Hugo Pratt (criador de Corto Maltese), que era habitué, e pendurados nas paredes, uma grande hélice de latão de topa sampierotta (um barco de pesca) e partes de gôndolas pintadas, que ilustram antigos provérbios venezianos.

Praias do Lido de Veneza

Rumo à costa sul, ladeada pelas famosas praias de areia dourada, passando pela via Dardanelli, quase somos arrebatados pelo aroma de fragrantes fugasse, um doce parecido com um panetone baixo, fermentado naturalmente, que vem da confeitaria Maggion, conhecida há mais de 40 anos e gerida por Matteo Maggion, com a ajuda do pai Sergio. Também são deliciosas as tortas salgadas, feitas com vegetais orgânicos do hortelã da família, e a ampla variedade de biscoitos e doces típicos: buranei de massa podre, pavane com canela e frutas cristalizadas, e pevarini aromatizados com gengibre e pimenta-do-reino.

A poucos quarteirões, está La Battigia, uma acolhedora trattoria familiar onde a cozinha tradicional é comandada pela senhora Maria Dorotini, auxiliada pelo filho Gian Luca, que atende os clientes na sala. Imperdível são as schie com polenta (um tipo de camarão cinza, pescado de dezembro a abril); “Saltata alla Battigia”, o prato principal à base de peoci (mexilhões) e caparossoi (amêijoas verdadeiras) salteados na frigideira e temperados com um molho saboroso; “spaghetti alla busera”, nhoques com lagostins, farturas mistas ou de moéche (caranguejos minúsculos sem casca), caudas de tamboril, robalos grelhados e muito mais.

No Lido, há também quem inove e acrescente um toque criativo aos pratos tradicionais, como o restaurante La Favorita, atrás do vizinho lungomare d’Annunzio, instalado em um velho prédio adornado com uma bela pérgola de videira e gerido por mais de vinte anos por Luca Pradel. Na bela estação, pode-se comer ao ar livre, sob um grande gazebo de frente para um jardinzinho de sempre-verdes. O menu é quase todo baseado em produtos locais de primeira qualidade e reserva delícias, como “carpaccio de robalo com pimenta rosa”, entrada crua de atum ou lagostim, ostras e trufas do mar, “nhoques de abóbora com escórfano e radicchio”, “bavette com lulas pequenas e berinjela” e muito mais.

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