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National Gallery de Londres: guia de visita

Uma proposta de visita a uma das pinacotecas mais bonitas de Londres e do mundo: a National Gallery com sua sensacional coleção de quadros do século 1200 ao início do século XX.

National Gallery Londra - Foto di Tims Talib
Maria Ilaria Mura
8 Min Read

A National Gallery de Londres possui cerca de 2.300 obras de pintura. Embora existam coleções maiores na Europa, seu valor está em ter uma coleção enciclopédica que cobre o período do século XIII até o início do século XX. Estão representados todos os maiores artistas, por vezes com obras tão significativas que estão presentes também nos manuais de história da arte.

Esta proposta permite visitar o museu através de quatorze das obras mais famosas e significativas, para ter uma visão geral dos momentos principais da história da pintura ocidental.

A National Gallery de Londres foi fundada em 1824 com uma história particular. No final do século XVIII, de fato, em toda a Europa as coleções reais dos vários estados estavam sendo nacionalizadas: assim, por exemplo, a coleção real francesa foi a origem do Louvre. Os soberanos ingleses não seguiram essa tendência e preferiram manter a plena propriedade de sua coleção. Intelectuais e políticos, no entanto, sentiram a necessidade de constituir uma coleção que pudesse servir para educar a população. A oportunidade foi representada pela aquisição, por parte do governo inglês, de trinta e oito pinturas dos herdeiros do empresário John Julius Angerstein. A partir daí a coleção se ampliou até contar hoje cerca de 2.300 obras.

Para construir o museu escolheu-se a Trafalgar Square: embora fosse mais funcional colocar o edifício no polo museológico de South Kensington, a escolha de expor a coleção próxima aos centros de poder (Buckingham Palace e o Parlamento) tem um significado político preciso. Porém, o espaço sempre foi limitado, e o edifício passou por diversas modificações, em linha com o crescimento da coleção. A última ampliação é a Sainsbury Wing, de onde começa nossa visita.

Batalha de San Romano de Paolo Uccello

A pintura religiosa é o tema principal das primeiras salas, e nesse contexto Paolo Uccello, com sua Batalha de San Romano, constitui uma exceção. Trata-se, de fato, de uma obra destinada a uma encomenda da burguesia mercantil florentina do Quatrocento. O quadro fazia parte de uma série de três pinturas (as outras duas estão expostas no Louvre e nos Uffizi) nas quais, mais do que representar de forma tradicional a batalha, quer-se enfatizar a vitória de Florença e a figura do condottiero Niccolò da Tolentino. O que caracteriza a arte de Paolo Uccello é a pesquisa sobre a perspectiva, que havia sido descoberta pelos artistas nesse período e que aqui é experimentada com a grade de lanças quebradas no solo.

A batalha de San Romano de Uccello - Foto National Gallery Londres
A batalha de San Romano de Uccello – Foto National Gallery Londres

O Batismo de Cristo de Piero della Francesca

A Sala 61 é dedicada a dois grandes mestres do Quatrocento: Rafael e Piero della Francesca, de quem o próprio Rafael admirou a grande capacidade de integrar os ritmos geométricos com a natureza. Não por acaso, Piero della Francesca também era matemático. O Batismo de Cristo é a mais antiga entre as poucas obras sobreviventes deste artista. Nela, os princípios matemáticos são usados tanto para equilibrar harmonicamente a composição quanto para criar efeitos perspectivais. A paisagem na qual a cena é inserida é a de Borgo Sansepolcro, onde a obra era destinada: dessa forma, os espectadores eram diretamente envolvidos no episódio evangélico.

O Batismo de Cristo de Piero della Francesca - Foto National Gallery Londres
O Batismo de Cristo de Piero della Francesca – Foto National Gallery Londres

Os noivos Arnolfini de Jan Van Eyck

Entre as obras estrangeiras desse período destaca-se o célebre Os noivos Arnolfini de Jan Van Eyck, primeira obra holandesa adquirida pela National Gallery. É um quadro enigmático, que mostra a riqueza do casal, mas sem muita ostentação. O elemento mais misterioso é a imagem refletida no espelho, onde se veem dois homens entrando na sala. A presença, acima do espelho, da inscrição “Jan Van Eyck esteve aqui. 1443” pode fazer pensar que os dois homens sejam justamente o pintor e seu assistente.

Os noivos Arnolfini de Jan Van Eyck - Foto National Gallery Londres
Os noivos Arnolfini de Jan Van Eyck – Foto National Gallery Londres

A Virgem das Rochas de Leonardo da Vinci

O percurso na Sainsbury Wing termina, na Sala 66, com a célebre Virgem das Rochas de Leonardo da Vinci. A obra foi encomendada pela família Sforza de Milão em um momento em que havia um acalorado debate sobre a Imaculada Conceição. Os defensores da doutrina afirmavam que Maria foi criada por Deus antes da criação do mundo e, portanto, antes do pecado original. Daí a escolha da paisagem primitiva, composta apenas por rochas, onde até as poucas flores que aparecem não existem na natureza, são inventadas. Neste quadro, além disso, Leonardo aplica seus estudos sobre a perspectiva aérea e sobre as diferenças na percepção das cores conforme a distância do observador.

A Virgem das Rochas de Leonardo da Vinci - Foto National Gallery Londres
A Virgem das Rochas de Leonardo da Vinci – Foto National Gallery Londres

O 1500 é o século da Reforma Luterana, que nos países germânicos levou à redução drástica da pintura com temas religiosos e ao consequente aumento dos retratos.

Os embaixadores de Hans Holbein, o Jovem

Assim, Hans Holbein, o Jovem, mudou-se para Londres para se tornar pintor da corte de Henrique VIII. Na National Gallery está conservado o célebre quadro de Os Embaixadores: trata-se de um duplo retrato do embaixador da França Dinteville e do bispo de Lavaur. O quadro está cheio de símbolos ligados à política e à religião, representados pelos objetos colocados sobre a mesa. As imagens desta época frequentemente traziam mensagens mais ou menos explícitas sobre a fragilidade da vida. Aqui o memento mori é representado pelo desenho estranho na parte inferior que, olhando do lado direito, aparece um crânio.

Os embaixadores de Hans Holbein, o Jovem - Foto National Gallery Londres
Os embaixadores de Hans Holbein, o Jovem – Foto National Gallery Londres

O século XVI é um grande século para a arte italiana. A corte papal permitirá que Michelangelo e Rafael desenvolvam sua arte magnífica. Mas também cidades como Veneza, Ferrara e Bolonha foram berço de artistas de destaque. Ticiano é um deles, e está presente na National Gallery com várias obras, entre elas Baco e Ariadne. O quadro representa o momento do enamoramento entre os dois personagens, com Ariadne recém-abandonada em Naxos e Baco vindo da Índia acompanhado por sua corte variada. A maestria no uso dos melhores pigmentos disponíveis na época e a narrativa da composição fizeram dela uma obra muito famosa, modelo para muitas outras com o mesmo tema.

Baco e Ariadne de Ticiano

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