A cerca de uma hora de trem de Londres, partindo da estação de Waterloo, está Winchester, uma cidade rica em história e arte. Seu primeiro assentamento foi bretão, mas a primeira cidade de fato foi uma fundação romana, Venta Belgarum. Em 827, com rei Egberto, tornou-se capital da Inglaterra.
Quando Guillaume, o Conquistador tornou Londres também capital, foi coroado em ambas as cidades, prática que foi adotada por outros reis até que Londres se tornou definitivamente a única capital do reino.
Guillaume, o Conquistador ainda incumbiu os monges de Winchester de redigir o Domesday Book, o grande censo patrimonial de grande parte da Inglaterra e do País de Gales.
Winchester pode ser explorada a pé para admirar seus monumentos e se perder em seus autênticos cantos medievais.
Veja também: Inglaterra do Sul, roteiros da arte medieval
O que ver em Winchester, na Inglaterra
1 A Catedral de Winchester
A visita a Winchester não pode deixar de lado a Catedral, o monumento mais importante da cidade e uma das mais belas igrejas da Inglaterra. A primeira coisa que impressiona são as dimensões, em particular o comprimento: 167 metros. O estilo dominante é o gótico, mas o transepto é um lindo exemplo de arquitetura normanda. Em seu interior encontram-se obras de arte preciosas: as capelas-túmulo dos bispos, entre as quais se destacam a ricamente ornada do bispo Wykheam e a do bispo Fox; os preciosos bancos entalhados do século XIV; uma esplêndida pia batismal normanda do século XII em mármore negro de Tournai, esculpida com as histórias de São Nicolau; os afrescos do século XIII da Chapel of Holy Sepulchry e da Guardians’ Angel Chapel.

A Catedral também guarda uma dupla homenagem à escritora Jane Austen, que passou grande parte de sua vida em Winchester. Quando morreu, não era particularmente famosa, por isso a inscrição da lápide de seu túmulo simples apenas menciona as “extraordinárias qualidades de sua mente” (extraordinary endowments of her mind). O sucesso póstumo de seus romances levou à colocação de outro memorial, não grande, mas mais rico e ornamentado, que menciona especificamente suas qualidades como escritora.

Do transepto, acessa-se a bela biblioteca do século XVII e ao tesouro, onde se destaca uma Bíblia iluminada do século XIII. Muitos voluntários oferecem visitas guiadas gratuitas, especialmente recomendadas se quiser descobrir os segredos e as histórias da Catedral de Winchester.

2 Ao redor da Catedral de Winchester
Deixando a Catedral, pode-se admirar os vários edifícios a ela conectados. Pode-se começar seguindo o lado externo da nave direita, onde um caminho chamado The Slype leva a The Close, o recinto episcopal parcialmente cercado por muros. Alguns arcos normandos revelam a existência, no passado, da sala do capítulo que unia o transepto da Catedral ao Deanery. Contornando os edifícios do século XVII da Long Gallery e da Pilgrims’ School, chega-se à Dome Alley com belas casas em enxaimel. Passando pelo St Swithun’s Gate encontra-se a portão medieval do século XIV Kingsgate à esquerda, sobre cujo arco foi erguida a capela de St Swithun upon Kingsgate.

3 Wolvesley Castle
Ao lado do recinto do atual palácio episcopal, uma trilha imersa no verde leva a um lugar inesperado: as ruínas do Wolvesley Castle, o palácio episcopal medieval destruído durante a guerra civil de 1646. Suas origens remontam a 970, mas foi ampliado na primeira metade do século XII.
Suas ruínas ocupam uma área muito ampla e ainda é possível reconhecer a capela e o salão que foi o cenário do banquete do casamento da Rainha Mary com Felipe da Espanha em 1554. O que mais impressiona são as fortificações, adicionadas por Henrique II na segunda metade do século XII, que dão ao local a aparência de um castelo, daí o nome.

4 Great Hall e a Távola Redonda
As únicas partes sobreviventes do castelo construído por Guillherme, o Conquistador são as fundações da Round Tower e, sobretudo, a Great Hall, a grande sala central, perfeitamente conservada, famosa por abrigar a Távola Redonda. Obviamente, não se trata da do Rei Arthur, mas é ainda um notável exemplo de artefato de madeira do século XIV, possivelmente produzido em ocasião de um torneio, com os nomes dos cavaleiros e a efígie do rei.

5 High Street
A High Street é a rua principal da cidade e segue o decumano, um dos eixos viários da cidade romana. É completamente para pedestres e lá se encontram lojas e restaurantes, muitas vezes instalados em deliciosas casas em enxaimel. A entrada se dá pela Westgate, que abriga em seu interior um pequeno museu, que pode valer a pena visitar para ter acesso ao telhado, de onde se usufrui de uma bela vista da cidade.
A Old Guildhall, com um grande relógio projetado sobre a rua, é hoje sede do Lloyds Bank. No trecho final da rua, à direita, fica a Guildhall neogótica e, no centro, a estátua de Alfredo, o Grande de 1901.

6 Winchester College
A instituição cultural mais prestigiosa da cidade é o Winchester College, a escola privada mais antiga da Inglaterra. Fundada em 1382, originalmente era destinada aos menos favorecidos, enquanto hoje é uma das escolas mais exclusivas de todo o país e renomada também internacionalmente.
Dentro dela há 80 edifícios históricos, em sua maior parte datados do final do século XIV e em uso regular, distribuídos em um jardim de cerca de 45.000 metros quadrados. É possível visitar o tesouro, consistindo em uma coleção de artefatos arqueológicos preservados nos estábulos sugestivos. Recomenda-se realizar a visita guiada, com a qual se terá a oportunidade de descobrir os ambientes mais bonitos do complexo.

Para conhecer antecipadamente o Winchester College, você pode assistir a este breve documentário
7 Os Museus Militares
Perto da Great Hall fica o Winchester’s Military Quarter, onde algumas casernas do final do século XVIII abrigam seis coleções de regimentos ingleses de 1702 até hoje. Assim, é possível descobrir a história, entre outros, dos King’s Royal Hussars, do Royal Hampshire Regiment, das Royal Green Jackets e dos Gurkhas do Nepal que serviram ao Império inglês por cerca de 200 anos. Uma das atrações mais populares é o diorama da batalha de Waterloo, exposto no Royal Green Jackets Museum.
Além do interesse específico pela história militar, o local do Military Quarter é interessante do ponto de vista histórico e arquitetônico. Ele fica no local onde Guillherme, o Conquistador tinha construído seu castelo, que foi parcialmente destruído após a guerra civil. Em 1683, Carlos II decidiu construir ali seu palácio, inspirado no de Versailles, com projeto do famoso arquiteto Christopher Wren, o mesmo da Catedral de St Paul em Londres. Os trabalhos, porém, foram interrompidos com a morte do rei e os edifícios, após décadas de abandono e decadência, foram usados temporariamente para fins militares, até se tornarem oficialmente casernas a partir do final do século XVIII, abrigando 3.000 soldados durante as guerras napoleônicas.

8 O rio Itchen e o City Mill
Winchester também é uma encantadora cidade da água, com o rio Itchen e seus canais que margeiam o centro histórico e oferecem a oportunidade de deliciosos passeios no verde, como a Keats’ Walk. A força da água do Itchen está contida no City Mill, um moinho de 1774 construído sobre um edifício medieval anterior. O moinho ainda está em funcionamento e é possível assistir pessoalmente ao processamento do trigo e ao empacotamento da farinha, que também pode ser adquirida no local.

9 Onde comer em Winchester
A culinária de Winchester é a típica dos pubs, que estão espalhados pelo centro histórico. Alguns são muito antigos, como o The Eclypse Inn, instalado na casa do século XVI que originalmente foi a casa paroquial da igreja de St Lawrence. A God Begot House, que remonta ao ano de 1052, abriga, ao lado da High Street, um restaurante da rede Ask e, no lado da estreita viela lateral, o pub The Royal Oak.
Para experimentar a cozinha tradicional com um toque um pouco mais sofisticado, em um ambiente com design acolhedor, o Pitcher and Piano, ao lado da Guildhall, é o lugar ideal.

10 Onde dormir
Winchester pode ser visitada em um dia. Mas, se quiser prolongar a estadia por um ou mais dias, alguns pubs do centro histórico, como o The Wykeham Arms e o The Old Vine, têm quartos no andar superior onde se pode ficar hospedado, experimentando idealmente o espírito das estalagens medievais.
Para uma experiência de luxo, a cerca de 4 quilômetros do centro da cidade, na zona rural de Hampshire, fica a Lainston House, uma villa do século XVII transformada em hotel cinco estrelas.


