Viagem ao Peru, o que ver do Machu Picchu a Cusco ⋆ FullTravel.it

Viagem ao Peru, o que ver do Machu Picchu a Cusco

Uma viagem ao Peru: para viver de perto o fascínio da civilização Inca; para conhecer os lugares da conquista espanhola e o que resta da cultura pré-católica; para redescobrir os valores da gentileza e humildade, típicos da população andina.

Abitanti Isole Uros, Perù
Tonia Giosa
14 Min Read

O Peru é um país da América do Sul, com uma longa costa que se abre para o Oceano Pacífico oferecendo muitas e belas localidades costeiras. Mas ainda mais bela é a história do país, rica e interessante, que começa há 32 mil anos, com seu auge no século XIII graças aos Incas e o declínio após a conquista espanhola. Foi isso que nos motivou a escolhê-lo como destino para nossa lua de mel: um destino incomum, para muitos, mas que despertou muitas curiosidades e nos fez voltar para casa “diferentes”.

Para quem se interessa pela cultura pré-colombiana e Inca, há muitos sítios de interesse que mantêm intacta e forte a personalidade andina.

Viagem ao Peru, a partida

Nossa viagem começou no Vale Sagrado dos Incas (alt. de 2.800 a 3.200 m), o vale do Rio Urubamba com suas abundantes águas que tornam suas terras férteis e por isso considerada sagrada (Valle Sagrado de los Incas), onde ainda se fala “Quechua” e se pratica o “trueque” (escambo).

Chegamos a Cusco com um voo regular da capital peruana, Lima, e de lá seguimos para o Vale Grande de ônibus, cerca de uma hora de viagem. Aqui as evidências arqueológicas, históricas e folclóricas são imensas e ainda muito visíveis hoje:

  • Demos um salto no tempo visitando Pisaq, com seu típico mercado artesanal;
  • Ficamos maravilhados com as salinas de Maras, um conjunto de cerca de 000 piscinas, cada uma com aproximadamente quatro metros quadrados e 30 centímetros de profundidade. A água salgada brota do subsolo por um poço e é desviada para as outras piscinas por um complexo sistema hidráulico que demonstra o conhecimento tecnológico dos Incas. Por efeito do sol e do clima, a água evapora, deixando na superfície o sal cristalizado, que depois é coletado e vendido nos mercados;
  • Ficamos encantados em Ollantaytambo, sede de uma fortaleza inca cujo nome significa “estalagem de Ollantay” (nome de um guerreiro). Foi palco do último e sangrento confronto entre Incas e espanhóis, quando Manco Inca tentava reunir a resistência após a derrota em Cusco. Subindo as escadas que serpenteiam os terraços da época incaica, chega-se ao coração do templo, do qual restam apenas algumas pedras perimetrais. No topo do sítio pode-se apreciar uma construção peculiar na montanha oposta. Trata-se de um grande depósito inca para alimentos (provavelmente um celeiro), cuja localização foi escolhida para aproveitar um lugar mais fresco (graças aos ventos locais), onde os mantimentos pudessem durar mais. Aos pés dessa fortaleza desenvolve-se uma pequena cidade, estação de partida do trem para Aguas Calientes, última parada antes de subir a Machu Picchu (dali também parte a caminhada do Inca Trail a pé, um percurso de dois ou três dias atravessando as montanhas até Machu Picchu);
  • E então, nos emocionamos em Machu Picchu, talvez a maravilha mais famosa do Peru: eleita uma das Sete Maravilhas do Mundo em 2007, foi descoberta por acaso pelo arqueólogo americano Hiram Bingham em 1911. É uma cidadela incompleta construída no topo de um morro verde no coração da floresta tropical. Os restos estão completamente intactos (faltando apenas os telhados de palha) e, provavelmente, teria grande importância, pois além da área “urbana”, foi encontrado um templo solar e um caminho que a liga a Cusco, capital Inca. Ao atravessar o portão de entrada, parece entrar em um sonho: a leve névoa que envolve as montanhas e o sítio arqueológico, a voz do guia contando sua história e a visão das ruínas tornam a experiência onírica, a ponto de só se consciencializar da realidade da visita ao rever as fotos ou documentários, sendo impossível não sentir um arrepio na espinha;
  • Por fim, completamos a visita ao Vale Sagrado com Cusco, capital do Império Inca em forma de puma, representante de um dos três níveis da vida Inca, precisamente “este mundo” (os outros dois são: o “mundo inferior”, representado pela serpente, e o “mundo superior”, representado pelo condor). Não podia faltar a parada na Catedral da Assunção da Beata Virgem Maria e na vizinha Sagrada Família (Patrimônio Mundial da UNESCO), na linda e sugestiva Plaza de Armas (à noite é belíssima, com os prédios com arcadas que a cercam e um burburinho de pessoas, turistas e não só, que a tornam viva e real).

O que ver em Cusco

Cusco é rica em vielas, algumas das quais levam ao Templo do Sol, Qorikancha, sobre o qual os espanhóis construíram o convento de Santo Domingo. Imperdível, nos arredores de Cusco, as “quatro ruínas” Incas que escondem símbolos da cultura local: a colossal Fortaleza de Sacsayhuaman, construída em “zigue-zague” em homenagem à serpente e ao raio, de onde se pode admirar uma panorâmica espetacular da cidade; o santuário de Qenqo, onde existem as “wanka”, pedras sagradas que emanam energias positivas; a Fortaleza de Puca Pucara e o Palácio Tambomachay, um importante aqueduto Inca, cujo projetista e construtores foram mortos após o término das obras. Para compreender melhor as civilizações Inca e pré-Inca, é fundamental visitar o belíssimo Museu Inkariy.

Como se o que foi visto até aqui não fosse espetacular o suficiente, completam o quadro os picos nevados, quase o ano inteiro, das Andes, que observam de cima o majestoso e pacífico curso do rio Urubamba, que por séculos viu diversas paisagens. A alguns quilômetros (e metros de altitude!) de distância, merece a visita também Puno.

O que ver em Puno

É recomendável chegar de ônibus, saindo de Cusco, percorrendo os 350 km da Rota do Sol: muitas são as companhias que organizam esse tipo de deslocamento que, apesar de durar cerca de dez horas, parecem voar graças às muitas e interessadas paradas. Após cerca de 50 km paramos em Andahuaylillas, onde por 3 soles visitamos a Igreja de San Pedro, construída pelos jesuítas sobre uma construção inca do século XVII. Por fora parece simples e austera, mas por dentro surpreende: os afrescos cobrem suas paredes, assim como as lâminas de ouro.

Retomamos a viagem até o sítio arqueológico de Raqchi: fomos recebidos por artesãos e vendedores locais, cujas barracas nos acompanharam até a entrada desta cidade Inca completa, cercada por muralhas e dividida em áreas, desde residências até zonas militar e religiosa. Seguimos e subimos em altitude, sempre pela cordilheira deserta com montanhas nevadas ao fundo, alcançando o passo La Raya a 4.500 metros, onde paramos para admirar a paisagem impressionante e fotografar as geleiras que estão a 6.000 metros.

A última parada foi Pucara, uma cidade a 4000 metros, famosa pelo seu símbolo, o “torito”, que se vê nos telhados de todas as casas como um amuleto de prosperidade. Ali há um belo museu com restos de civilizações pré-incas.

Continuamos a viagem e quase chegamos a Puno quando, olhando pelas janelas do ônibus, vimos estradas não asfaltadas e muito caos: é Juliaca, cidade sem leis onde os narcotraficantes fazem o que querem. Após esse foco de ilegalidade, uma outra parte da estrada de alta velocidade nos leva ao destino: Puno está situada na margem ocidental do famigerado (com razão) Lago Titicaca. É uma cidade com cerca de 120.000 habitantes, a quase 4000 metros de altitude! A recomendação, justamente por essa razão, é visitá-la por último, após uma adaptação gradual à altitude. É graciosa e sugestiva e não é difícil encontrá-la em festa, vendo seus habitantes, com roupas coloridas, cantando e dançando até tarde da noite.

Machu Picchu, Peru

Lago Titicaca

Paramos pouco em Puno, apenas para visitar o Lago Titicaca: um enorme lago navegável (com mais de 8000 km quadrados) situado entre Bolívia e Peru, localizado a mais de 3000 metros de altitude, é o lago navegável mais alto do mundo. A água é tão pura que a transparência do lago é impressionante.

Na superfície do lago há ilhas artificiais totalmente construídas com juncos de totora (que cresce naturalmente nas margens do Titicaca) que flutuam na água, as ilhas Uros, que abrigam vilarejos tradicionais e são ancoradas ao fundo do lago, subindo e descendo conforme o nível da água e “reconstruídas” a cada duas semanas aproximadamente. Foram construídas por um povo, os Uros, justamente para escapar dos ataques de povos beligerantes como os Incas.

Depois seguimos para a ilha Taquile: após três horas chegamos a um lugar fora do mundo! A subida, a 4000 m, não é fácil, mas ao chegar ao topo aproveitamos uma vista espetacular das águas cristalinas do lago. No restaurante “comum” presente na ilha, é possível provar produtos típicos e assistir a um espetáculo de músicos e dançarinos andinos, que animam a visita com os belos sons e cores da cultura local.

No dia seguinte, cansados pela caminhada e pela altitude, mas cheios de adrenalina, partimos de ônibus para Arequipa, a “Cidade Branca”, pelo tom das pedras com que foram construídos seus edifícios.

O que ver em Arequipa

Arequipa, aos pés do imponente vulcão “El Misti”, construída pelos espanhóis em 1540, é justamente uma mistura de culturas e tempos, palpável na Plaza de Armas, onde se destacam a Catedral e a Igreja dos Jesuítas, cercadas por prédios coloniais que parecem nos transportar a outra época, onde os cânones estéticos europeus se fundem com a sensibilidade andina. Não se pode deixar de visitar o Mosteiro de Santa Catalina, construído em 1579 como convento de clausura. É tão grande que dentro há ruas, jardins e parques, e em alguns prédios é possível ver quartos com móveis da época. Embora hoje não seja mais de clausura absoluta e o número de freiras seja muito menor, vigora a regra explícita do silêncio, graças à tranquilidade que ali reina.

Uma joia imperdível é a múmia de Juanita, a menina do gelo, no Museu Santury. No ano de 1995, no topo do Vulcão Ampato (6.312 metros), vizinho do vulcão Misti e atrás da cidade peruana de Arequipa, os arqueólogos Johan Reinhard e José Antonio Chávez encontraram o corpo mumificado de uma garota Inca, hoje conhecida como “Juanita” em homenagem ao arqueólogo americano. A chamada “menina do gelo” é talvez o corpo mumificado mais famoso dos 18 sacrificados na época Inca encontrados até hoje nos picos das Andes (14 no Peru e 4 na Argentina – um está guardado no museu M. Gambier de San Juan, que visitamos em novembro passado). Mais uma vez, uma oportunidade arrebatadora de reviver a época Inca em todo seu fascínio.

Nosso passeio pelo Peru termina nesta linda cidade: voltamos para casa enriquecidos e “diferentes”, graças ao Peru, sua história e seu povo: forte é a personalidade deste país, o apego ao passado, às tradições e às origens a preservar. Os peruanos distribuem sorrisos, baixam o olhar quando você fala com eles, oferecem o pouco que têm como se fosse a riqueza mais preciosa do mundo.

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