O complexo termal de Castrocaro, utilizado desde 1830 graças às propriedades das águas salobras descobertas na era moderna pelo prof. Antonio Targioni Tozzetti, foi oficialmente inaugurado em 1851 por iniciativa do conde Antonio Marescotti, que disponibilizou para a estrutura o palácio que já pertencera aos condes Guarini. Em 1869, a compra das fontes pelo doutor Aristide Conti deu um novo impulso à nascente indústria termal, ampliada com um novo estabelecimento. Em 1887 foi iniciada a construção das Termas Conti, e em 1899 começou o arranjo do parque, depois decorado com esculturas produzidas no primeiro quarto do século XIX pela oficina do escultor Casalini. Já em 1924 data o complexo arquitetônico e decorativo da “Fonte Littoria”, devido à fábrica de azulejos Focaccia e Melandri. A origem do topônimo, Solona, no idioma dos úmbrios que foram os primeiros a povoar a região, e Salsubium na era romana, revela o conhecimento da presença de sal e águas termais já na antiguidade. Mencionadas em 1348 por Flavio Biondo em sua “Italia illustrata”, as águas de Castrocaro caíram no esquecimento por muitos séculos: até 1829, quando um agricultor foi preso por violar a lei do monopólio do sal enchendo um barril com água retirada da fonte chamada “della Bolca”, na tentativa de extrair sal. Apreendido com base em um artigo de 1819, o barril foi confiado pela magistratura florentina à competência de Antonio Targioni Tozzetti, que, médico e marido da renomada musa de Giacomo Leopardi, reconheceu as virtudes benéficas da fonte. Foi o início de uma atividade termal moderna, iniciada em 1838 e desde então incrementada com uma série de iniciativas privadas. Em 1841, a marquesa Martelli, uma nobre florentina, foi curada após o uso da água de Castrocaro. O episódio tornou a fonte famosa e assim o advogado Frassineti impulsionou uma primeira atividade termal com um estabelecimento de cinco quartos, equipados com banheiras de madeira. Dez anos depois, a instituição fundada por Frassineti associou-se àquela montada pela família Marescotti no Palazzo Guarini de Castrocaro. A água, extraída no vizinho Vale dos Cozzi, era transferida para barris apropriados transportados em vagões. Após a morte de Marescotti, a instituição passou para a esposa e à filha dele, sob a denominação de “Estabelecimento balneário Irmãs Liverini”. Em 1870 Aristide Conti, empreendedor de Castrocaro, descobriu uma nova fonte de água termal perto de sua residência. Começou então um novo empreendimento, que ampliou os estabelecimentos preexistentes com as águas das fontes de Bolga e Cozzi, localizadas na zona norte. Em 1929 a propriedade dos banhos, integrada em 1924 com o complexo arquitetônico da “Fonte Littoria”, decorada com os azulejos da fábrica Focaccia e Melandri, foi cedida pelos herdeiros Conti à INA. Em 1936 as termas passaram para o Estado, com a denominação de Regie Terme di Castrocaro, por ordem de Mussolini, que utilizava pessoalmente o estabelecimento, hospedando seus convidados no Grand Hotel (1939). O edifício, projetado por Tito Chini (Borgo S.Lorenzo, 1898-Desio, 1947), representou um dos exemplos mais significativos do art déco italiano produzido pela manufatura cerâmica de Borgo S.Lorenzo. A intervenção do célebre designer e decorador florentino impôs alterações ao projeto original, devido, para os estabelecimentos termais, ao engenheiro Diego Corsani: entre elas a elevação de um andar de parte do edifício, o terraço para o parque e a torre d’água. De grande valor as ornamentos do Pavilhão das Festas (1936-1941), projetado por Corsani mas reinventado pela criatividade de Chini, auxiliado, para as partes pintadas, pelos desenhistas Donatello e Loris Faggi, e por Cosimo Donatini. Sábio também o uso dos materiais: barro cozido (tijolos à vista), mármore negro, travertino e cerâmica iridescente (Tramonti). Em 1961 o complexo termal, integrado, no parque, por uma piscina, foi convertido em SRL; nos anos setenta foram adicionadas novas construções, destinadas a abrigar os departamentos reservados aos cuidados inalatórios e às terapias da surdez rinogênica; entre 1972 e 1974 foi construído o estabelecimento “A”, ainda em uso. Esta imponente construção é dividida em três seções virtualmente distintas que surgem na parte central do parque, a cerca de cem metros da via Marconi e da entrada principal da via Roma, às quais se conectam por meio de uma abóbada em “baldaquino” ladeada por construções pentagonais utilizadas como lojas. Nos anos noventa foi criado o estabelecimento “C”, dotado de seções múltiplas reservadas aos fangoterapias. Localizado próximo do anterior, este setor comunica na parte sudeste com o estabelecimento “B”. Infelizmente, naquela época os estudos sobre o impacto ambiental não estavam avançados a ponto de permitir uma avaliação melhor do convívio de um edifício novo com as estruturas anteriores. Tudo isso não foi isento de consequências para a configuração do complexo termal, onde as novas unidades edilícias destinadas ao mercado termal dos anos setenta introduziram modificações nas estruturas existentes, interrompendo a continuidade do parque. Desde 1995 o complexo é administrado pela “Salsubium SPA”, que atualmente está relançando e melhorando a atividade termal através de uma série de adequações e reformas.
Informações sobre Termas de Castrocaro – Grand Hotel Terme
Viale Guglielmo Marconi 14/16,
47011 Castrocaro Terme e Terra del Sole (Forlì-Cesena)
Fonte: MIBACT

