Festa da transumância em Riva di Tures, no Alto Ádige ⋆ FullTravel.it

Festa da transumância em Riva di Tures, no Alto Ádige

Sinos de vacas, vacas adornadas, agricultores e figurantes em traje típico, música e especialidades gastronômicas tirolesas.

Maurizia Ghisoni
13 Min Read

Todos os anos, em meados de outubro, em Riva di Tures, no Alto Ádige, organiza-se uma das festas da transumância mais belas e participativas dos Alpes, que se torna não só um momento de agradecimento pelo bom andamento do pastoreio de verão, mas também uma ocasião para conhecer um vale intacto, cheio de coisas boas e genuínas, que os próprios agricultores produzem e vendem em suas pequenas lojas e nos coloridos mercadinhos.

Ao meio-dia, ouvem-se os primeiros sinos e logo aparecem as vacas, uma atrás da outra em fila indiana, com as tetas cheias de leite e o grupo de agricultores em trajes típicos que as acompanha. Apesar de estarem em marcha há horas e a estrada que desce dos pastos altos ser íngreme, não é difícil perceber em seus rostos alegria e satisfação. O verão transcorreu bem, não houve perdas entre o gado e agora que o frio começa a apertar, é hora de voltar para o vale para festejar e recolher os bovinos nos estábulos. Por isso, todos os anos, em meados de outubro, em Riva di Tures, uma pacata e pitoresca vila no vale Tures-Aurina, no Alto Ádige, realiza-se uma magnífica Festa da Transumância, que tem como protagonistas não apenas vacas, criadores e figurantes em trajes, mas também o público, que desde as primeiras horas da manhã se aglomera ao longo do percurso da procissão e enche as barracas gastronômicas montadas no amplo espaço abaixo da vila. A abertura do cortejo está marcada para as 13h, há tempo justo para adornar a rainha (a vaca mais bonita e com a melhor “postura”) e conduzi-la às fitas de partida. Hans Mairhofer, um criador da região, reúne o gado no prado atrás da igreja e, ajudado pela esposa Annemari, coloca na cabeça de sua Sabine, uma esplêndida rainha de pelagem clara de quase dez anos, um suntuoso diadema feito de fitas, lantejoulas, miçangas, penas coloridas, inscrições e motivos simbólicos. A quem se aproxima curioso, oferece amigavelmente um copinho de aguardente e as inevitáveis topfnudeln, as tradicionais bolinhas de massa frita e macia. Sabine está quase pronta, falta só a fita branca e vermelha, que Hans passa por baixo da barriga e amarra em um bonito laço nas costas, para avisar a todos que o pasto foi bem e agradecer à boa sorte.

Às 13h, o sinal de início vem com o forte estalo do chicote dos Goaslschnella, o grupo de chocalheiros alpinos de Terento. Cercados por duas filas de pessoas, vacas e criadores descem triunfantes para a vila e, entre um grupo e outro, acontece o espetáculo dos figurantes que, transportados em carroças, reconstituem cenas tradicionais da vida rural: vovozinhas fiando a lã, pastores cuidando de cordeiros e cabrinhas, donas de casa lavando roupas em velhos tonéis, homens entalhando madeira e idosos fumando cachimbo em suas quentes stuben. Uma lembrança de altas altitudes, que aquece a atmosfera e anima a todos, moradores e turistas. Terminada a procissão, o gado é deixado para descansar nos prados ao redor das barracas e os criadores desfrutam do merecido descanso com as especialidades locais: gerstesuppe (sopa de cevada), speck, salsichas e wurstel defumados, o indispensável graukase (o queijo cinza, símbolo dos vales), tirtlan (panquecas recheadas com ricota e espinafre), kirschtakrapfen, enormes sonhos fritos; há também quem prepare o melchamus, típico prato da vida no alpe, à base de farinha, leite e manteiga. Sob a grande tenda, há uma agradável revezamento musical: a orquestra tirolesa, que começou no meio da manhã, cede lugar aos membros da Banda de Campo Tures, que, em seus impecáveis trajes vermelhos, brancos e pretos, entoam melodias tradicionais e acompanham o evento até seu final. A festa de Riva não é, naturalmente, a única festa da transumância na região; entre setembro e o final de outubro, outras são realizadas em S. Giacomo, Villa Ottone, Molini di Tures, S. Pietro, Rio Bianco.

Agradecer ao céu pelo bom andamento do pastoreio é um rito tão antigo quanto inquebrável e é também a ocasião para exaltar os costumes dos agricultores, que, justamente nestes anos, assumiram um papel cada vez mais ativo na promoção de seus vales. Entre as muitas e atraentes iniciativas, vale destacar os mercadinhos e as lojas típicas montadas em masi e fazendas. Espaços pequenos, mas repletos de coisas boas, curiosas e às vezes até raras, geridos pelos próprios produtores e que, para o consumidor, são garantia de qualidade e autenticidade. <>. Descendo de Riva, a estrada panorâmica serpenteia entre alguns dos cantos mais belos do Parque Natural Vedrette di Ries, marcado por picos, florestas e espetaculares cachoeiras. Na próxima Caminata, encontra-se a aconchegante loja com oficina de Helene Brusa, uma senhora de modos abertos e cordiais, que, com a lã de suas ovelhas da raça branca alpina, confecciona lindos suéteres, cardigãs, cachecóis, gorros, tapetes e colchas, e mostra com orgulho suas antigas máquinas e todo o processo de trabalho. Seguindo em direção a Campo Tures, o vale abre seu perfil mais amplo e cuidado, uma geometria ordenada de campos e clareiras anuncia que a cidade principal está a poucos quilômetros. Bem na estrada, surge o Lahnerhof, a casa da família Fruch, de cujo forno a lenha exala um irresistível aroma de pão de centeio recém assado. Para receber visitantes e curiosos está Martina Fruch, que, além de cereais, batatas, verduras e frutas orgânicas, oferece também suas deliciosas geleias, xaropes de frutas e ameixas em calda. Na entrada da vila, fica também o Peintenhof, a fazenda da família Moser, onde Peter, um dos filhos, cria bois da raça Pinzgau, vacas de várias raças, como a valiosa Sprinzen do Pusteria, bezerros e porcos, que abate por conta própria e vende diretamente as carnes, auxiliado pela esposa Angelica e pela irmã Hildegard. Excelentes são também as salsichas e o speck defumado e curado com método tradicional.

Campo Tures, no centro de uma antiga planície aluvial, é uma vila com atmosferas relaxantes, agradáveis arquiteturas góticas e lojas cheias de coisas boas e curiosas. Embora pouco visitada pelo turismo de massa, ostenta monumentos de destaque, como o imponente castelo medieval de pedra cinza que domina a vila ou a igreja paroquial do século XV, que abriga um precioso museu de arte sacra. Entre os compromissos semanais, há o Mercadinho dos Agricultores, onde é possível encontrar produtos locais especiais: a família Oberhollenzer do maso Hochgruber, em Selva dei Molini, oferece, por exemplo, massa seca com sangue de porco, que, uma vez cozida, é passada na frigideira com manteiga e cebolinha e acompanhada de um polvilhado de queijo cinza muito curado. Excelentes também o vinagre de maçã, queijos cremosos, xaropes de mirtilo e sabugueiro e os tirtlan recheados com batata, espinafre, chucrute ou ricota. Do maso Wiesemann chegam frutas e verduras orgânicas, deliciosos krapfen com sementes de papoula, flores de tília para infusões, guirlandas de feno, centros de mesa de flores secas e muito mais. Enquanto Peter Feichter, um agricultor eclético de Lutago, confecciona sob os olhos dos passantes coloridas pantufas de feltro quente. Neste vale concentra-se uma produção notável e variada de queijos; todos os anos, em fevereiro, justamente Campo Tures acolhe um movimentado e prestigioso Festival do Queijo, que apresenta as diversas especialidades, muitas delas produzidas nos masi da região. Um deles é o Knollhof, na próxima Lappago, onde Hilde Niederkofler oferece iogurte natural, manteiga, ricota ácida e Graukase, o típico queijo cinza de massa pobre em gordura, obtido por um processo de coagulação natural e tradicionalmente consumido com óleo, vinagre e cebola fresca fatiada.

Em Selva dei Molini, uma localidade de Campo Tures cercada por florestas e vigiada pelos picos escarpados do território sul das Alpes do Zillertal, a família Steiner do maso Eggermairhof produz o Steiner Zwerg, um queijo macio e saboroso, pronto para consumo após quatro semanas, e uma série de queijinhos frescos aromatizados com feno, urtiga, ervas do jardim, pimenta e nozes. Do fundo do vale pode-se apontar para o lado ocidental da região, conhecido como Vale Aurina, que abre cenários de beleza intrigante. Entre as vilas de Lutago e San Giovanni, em uma pequena encosta ensolarada, destaca-se o antigo maso da família Leiter, o Getzlechenhof, cercado por um hectare de terreno, onde a senhora Dora e o marido Franz cultivam ervas e plantas medicinais.

Dora tornou-se uma profunda conhecedora das virtudes da malva, calêndula, melissa, menta e também da rosa damascena, cujas pétalas produzem óleos e essências muito perfumados. Ela as cultiva com amor e método orgânico, colhe à mão quando a lua indica, seca no labor dedicado e as embala em atraentes pacotinhos que coloca à venda na lojinha. A última parada nas lojas rurais é em Predoi, quase no fim do vale, uma vila conhecida desde a antiguidade pelas minas de cobre, que monopolizaram sua vida até o final do século XIX. Voltado para a estrada está o Wassererhof da família Innerbickler, onde a senhora Paula confecciona há mais de quarenta anos belos rendados de bilro, uma antiga técnica típica que salvou muitas famílias da miséria quando a mina fechou, e prepara xaropes e geleias perfumadas com as frutas da propriedade, assim como um mel incomum e excelente de dentes-de-leão, obtido pela fervura das flores em pouca água e filtragem da mistura.

COMPRAS
1 Lahnerhof – Família Fruh Caminata 26, Campo Tures (Bz), tel. 0474.678229
2 Trabalho em lã da Helene Caminata 2, Campo Tures (Bz), tel.0474.679581
3 Peintenhof – Fam. Moser Paróquia 25, Campo Tures (Bz), tel.347.5410134, o açougue está aberto somente aos sábados.
4 Mercadinho dos Agricultores todas as quintas-feiras, das 15 às 18, no Centro Tubris de Campo Tures (Bz), informações no escritório local de turismo tel. 0474.678076.
5 Eggermairhof – Fam. Steiner Selva dei Molini (Bz), tel. 0474.653205
6 Knollhof – Hilde Niederkofler Lappago/Selva dei Molini (Bz), tel.0474.685003
7 Getzlechenhof – Fam. Leiter San Giovanni in Valle Aurina (Bz), tel.0474.671205
8 Wassererhof – Fam. Innerbichler Predoi (Bz), tel. 0474.654235

PARTINDO
DE AVIÃO O aeroporto mais próximo é Bolzano, a cerca de 100 km.
DE TREM A estação ferroviária mais conveniente é Brunico, de onde partem ônibus para o vale (com saídas a cada hora).
DE CARRO As Vales Tures-Aurina são acessíveis pela autoestrada do Brennero A22. Na saída de Bressanone, entra-se no Vale Pusteria e pouco antes de Brunico, segue-se a indicação Brunico Oeste e os cartazes seguintes para Vales Tures-Aurina ou Falzes.
DE MOTORHOME Perto da piscina natural de Campo Tures, tel.0474.678257 há um estacionamento equipado com serviços.

TAGGED:
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *