A cidade de Bath, em Somerset, é a única estância termal de todo o Reino Unido. Ela desfruta de uma nascente de água guardada zelosamente no ventre da Terra a cerca de dois mil metros de profundidade. As propriedades saudáveis dessa água eram conhecidas desde a época romana. A fonte foi negligenciada por muitos séculos até que a rainha Ana, no início do século XVIII, foi a Bath para tratar sua gota, dando assim impulso à revitalização da localidade e dos banhos termais. Em pouco tempo, ir a Bath para férias tornou-se um must para as famílias aristocráticas inglesas e europeias.
O que fazer e o que ver em Bath, patrimônio da Unesco
Hoje Bath é um lugar lindo, patrimônio da Unesco, onde ainda é possível viver a atmosfera refinada das férias do século XVIII. Oferece muitas coisas para ver, fazer e experimentar, e as distâncias muito próximas permitem chegar a qualquer lugar a pé, possibilitando descobrir a todo momento muitos cantos pitorescos. Enfim, é o destino ideal para um final de semana de relaxamento, mas também de grande inspiração.
1 As termas romanas
As termas romanas são o monumento mais importante de Bath. A parte mais conhecida é a grande piscina externa, mas o percurso de visita oferece muito mais. De fato, o complexo era muito extenso e articulado. Assim, podemos ver os restos das várias piscinas termais, das obras hidráulicas que permitiam o funcionamento do sistema, das ruas circundantes e do templo dedicado a Minerva Sulis. Recentemente foi aberta uma nova área, a do ginásio, onde os antigos romanos praticavam suas atividades esportivas.
Ao longo de todo o percurso estão expostos os achados arqueológicos provenientes das campanhas de escavação, agrupados por áreas temáticas, que ajudam a entender profundamente o monumento através das histórias dos homens que o construíram, frequentaram ou que moravam nas proximidades. O objeto mais notável é uma cabeça de bronze de Minerva Sulis, que chegou até nós em ótimas condições.

2 Bath Abbey
O outro grande monumento da cidade, a poucos passos das termas romanas, é a Bath Abbey. Suas origens remontam ao período saxão, quando no local foi construído um mosteiro, substituído depois no século XI pela catedral normanda. A atual abadia, em estilo gótico, data de cerca de 1500 e foi restaurada pelo grande arquiteto vitoriano Gilbert Scott. O aspecto mais notável são os vitrais, datados da época da restauração, que cobrem grande parte das paredes, inundando o edifício com luz.
Um deles retrata a coroação de Edgar, o Pacificador, primeiro rei da Inglaterra, ocorrida justamente na Bath Abbey em 973.

3 Bath georgiana
Quando Bath no século XVIII tornou-se o destino preferido de férias da aristocracia, houve a necessidade de criar residências que estivessem à altura das expectativas dos hóspedes ilustres. Assim, entre 1734 e 1774, os arquitetos John Wood pai e filho realizaram a sequência de edifícios e espaços públicos que parte da Queen Square e culmina no Royal Crescent, passando pela Gay Street e The Circus. Um elemento comum é a pedra calcária amarela local que caracteriza as construções. Trata-se de fileiras de residências unifamiliares com uma fachada unificada. Assim, quem ali residia tinha a ilusão da magnificência da própria casa de campo, embora tivesse à disposição apenas um apartamento na cidade.
O Crescent era o complexo mais exclusivo e desejado. Seu nome recebeu o epíteto de Royal por ter hospedado em várias ocasiões no número 16 o Duque de York Frederick, segundo filho de George III. Para ter uma ideia de como eram as residências do Royal Crescent durante a era dourada, é possível visitar a casa-museu no número 1.
Uma casa da Gay Street abriga o Jane Austen Centre, onde, também por meio de experiências interativas, recria-se o ambiente da escritora nos anos em que viveu em Bath (não na mesma residência, mas em outra da mesma rua).
No centro das férias dos nobres do século XVIII estavam os bailes, os chás da tarde e o jogo de azar. Tudo isso acontecia nas lindas Assembly Rooms, perto do Royal Crescent. Uma parte do edifício hoje abriga um museu da moda, enquanto as salas de recepção, quando não estão ocupadas por eventos privados, estão abertas livremente ao público.

4 Pulteney Bridge e o rio Avon
O rio Avon é uma parte fundamental da paisagem de Bath. É possível explorá-lo com mini-cruzeiros pelo rio oferecidos por alguns operadores locais, partindo próximos da Pulteney Bridge. Para os mais aventureiros, há também a possibilidade de alugar canoas ou SUPs ou até mesmo uma narrowboat para uma navegação pelo Kennet and Avon Canal.
O Avon é atravessado, em um ponto no coração da cidade, pela Pulteney Bridge, ponte do século XVIII projetada pelo célebre arquiteto neoclássico Robert Adam. Como nos dois lados da construção há ambientes fechados, que hoje abrigam lojinhase cafés, a Pulteney Bridge foi historicamente comparada à Ponte Vecchio de Florença. A comparação talvez seja um pouco ousada, mas a ponte de Bath é muito romântica e merece uma visita.

5 Prior Park e o skyline de Bath
Pouco fora do centro histórico, na outra margem do Avon, está o Prior Park Landscape Garden, um grande parque monumental projetado pelo poeta Alexander Pope e pelo jardineiro Capability Brown. O parque foi fundamental para o desenvolvimento do estilo do jardim inglês, onde o verde do ambiente natural alterna e se integra com elementos arquitetônicos e lagos. O elemento principal do Prior Park é uma ponte em estilo palladiano. Há também um pequeno templo em estilo gótico, uma gruta artificial, alguns lagos e um pequeno canal.
A cinco minutos do Prior Park chega-se ao Bath skyline, caminhada circular na colina com cerca de 10 quilômetros de extensão. Ao longo desse percurso é possível admirar bosques, os restos de um forte da Idade do Ferro e de um assentamento romano, além de algumas follies, caprichos arquitetônicos sem uma função específica real. Mas, sobretudo, o skyline oferece vistas incríveis da cidade.

6 Thermae Spa
A tradição dos banhos termais continua com as termas modernas, as Thermae Spa, que utilizam as águas benéficas bem conhecidas pelos romanos e pelos aristocratas georgianos. As Thermae estão situadas em um edifício de design contemporâneo requintado. O pacote básico (£37 – £42 nos finais de semana) oferece um percurso de duas horas que começa na piscina panorâmica aquecida, no terceiro andar. Aqui é possível relaxar e se deixar mimar pelos vários jatos de hidromassagem desfrutando de uma vista 360 graus da cidade.

Depois pode-se continuar nas salas baseadas na alternância entre quente e frio, passando pelos quartos com banho turco aromático, duchas cromoterápicas, sauna infravermelho e a sala de gelo. E por fim, no andar subterrâneo, está o Minerva Bath, uma grande piscina termal que nos leva idealmente à natatio das termas romanas.
Em frente às Thermae Spa está o Cross Bath, com uma piscina termal encerrada em uma estrutura neoclássica sugestiva. O Cross Bath pode ser alugado para uso privado para um máximo de 10 pessoas (custo a partir de £400).

7 Compras
As principais ruas de boutiques em Bath são Bath Street, Milsom Street e Milsom Place, bem no centro. Bath é bastante renomada também pelas lojas de móveis e acessórios para casa. O distrito do design de interiores é Walcot Street, perto da Pulteney Bridge. Aqui é possível encontrar móveis, tecidos, cerâmicas, tanto com sabor vintage quanto com gosto contemporâneo.
A antiga estação de Green Park está em processo de transformação em distrito de escritórios e atividades comerciais. Sob os arcos é possível descobrir algumas lojas incomuns e particulares, como a Resolution Records, verdadeiro santuário dos discos de vinil.

8 O que comer em Bath
De Bath vem uma criação gastronômica, o bunn, uma espécie de pãozinho que pode ser cortado ao meio e recheado com condimentos doces ou salgados. O bunn foi inventado no final do século XVII por Sally Lunn e a receita ainda hoje é secreta. Pode-se ir degustá-lo em sua charmosa cafeteria, situada na casa mais antiga de Bath, datada de 1482.

Para quem quiser experimentar uma experiência aristocrática, a belíssima Pump Room das termas está aberta para café da manhã ou chá da tarde. Há também numerosos restaurantes, frequentemente em palácios históricos: a Ivy Bath Brasserie, por exemplo, oferece cozinha tradicional inglesa em um local histórico elegante na Milsom Street.
9 Onde se hospedar em Bath
Bath oferece diversas possibilidades para se hospedar com estilo georgiano. A mais prestigiada é representada pelo Royal Crescent Hotel, no número 16 do Royal Crescent, a mesma residência onde ficou o duque de York. O amor pelos detalhes, a qualidade do serviço e o esplêndido jardim nos fundos tornam o Royal Crescent um destino por si só. O custo dos quartos começa em cerca de £400.

Na direção oposta, mas muito funcional para um final de semana em Bath, está o Z Hotel. Localizado em posição centralíssima, o Z Hotel de Bath, como todos os da mesma cadeia, é baseado no conceito de compact luxury. Os quartos não são muito grandes (e na maioria dos casos não têm janela), mas são equipados com tudo o que é necessário. Enfim, uma escolha válida, especialmente se se viaja sozinho, com um preço realmente competitivo, a partir de £45.

