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Itinerários na Versília, Pietrasanta

Brilha sob os raios do sol o grande e robusto Guerreiro de Botero, e em um jardim cercado por laranjeiras, um enigmático Centauro de Mitoraj vigia os tesouros do Duomo, da Igreja de Sant’Agostino e do Museu dos Esboços.

Maurizia Ghisoni
5 Min Read

Estamos em Pietrasanta, uma encantadora cidade aos pés dos Alpes Apuanos, a poucos passos das praias douradas da Versília, onde artistas e visitantes do mundo todo se reúnem há décadas, atraídos pela maestria de seus artesãos do mármore, do bronze e do mosaico; pelas exposições, pelos prestigiados eventos culturais e, de maneira geral, pela atmosfera e pela sua arte de viver bem.

É muito agradável passear por aquele grandioso retângulo que é a Piazza del Duomo, onde se encontram os monumentos mais antigos misturados às obras-primas da arte moderna. Todos os anos, Pietrasanta dedica uma grande exposição a um artista contemporâneo, cujas obras são colocadas na praça e na próxima igreja de Sant’Agostino, vistas e tocadas por moradores e turistas, ou admiradas confortavelmente sentados nas mesas ao ar livre dos cafés, à sombra das lápides do século XVI, que contam sobre os contratos que Michelangelo firmava no local para obter os mármores de suas obras-primas. A vida pulsante desta cidade está justamente na forte e extraordinária conexão entre arte antiga e criatividade moderna.

Ao entrar no trecentista Duomo di San Martino, somos envoltos por uma solenidade harmoniosa. O olhar repousa nas magníficas piaçabas de água benta do século XVI do escultor Stagio Stagi e no esplêndido púlpito de mármore (1504 d.C.), cujo trabalho o faz parecer um cálice precioso. A poucos passos, está o Complexo de Sant’Agostino, com a igreja do século XIV, sede de importantes exposições, e o antigo convento renascentista, que abriga o Museu dos Esboços, com mais de seiscentos modelos em gesso de esculturas de artistas famosos: César, Nivola, Botero, Finotti, Yasuda, Mitoraj, De Sait Phalle e muitos outros.

Mas em Pietrasanta as obras-primas estão em toda parte, formando uma galeria a céu aberto, basta apenas ter vontade de passear e explorar cada canto. A poucos passos da Piazza del Duomo, passando pela Porta a Pisa, surge na praça da estação ferroviária uma etérea Chave dos Sonhos de Kan Yasuda, em puro mármore de Carrara. Percorrendo a via Mazzini, templo do passeio e das compras elegantes, chega-se à Piazza Matteotti, onde dominam o maciço Guerreiro de bronze de Fernando Botero e as Memórias de Pietrasanta em mármore branco de Pietro Cascella. Voltando pela via Mazzini, vale a pena parar na pequena Igreja de Sant’Antonio e San Biagio, também chamada de Misericórdia, a mais antiga de Pietrasanta (a origem data do século XIII d.C.), onde se encontram dois grandes afrescos de Botero: A Porta do Paraíso e A Porta do Inferno, mais uma homenagem do artista à cidade onde vive durante longos períodos do ano.

A nordeste do Duomo, abrimos a via Garibaldi, cheia de galerias de arte, lojas de antiguidades e com a estátua do Pugilista de Francesco Messina. E a via Sant’Agostino, ao percorrê-la passamos pelas costas do pujante Centauro de Igor Mitoraj, outro artista adotado por Pietrasanta. Parada imperdível, no fim da rua, é o Studio Sem, um dos ateliers artísticos mais conhecidos e valorizados da Versília, que colaborou com artistas como Moore, César, Mirò, e onde escultores de todo o planeta chegam para aprender os segredos do trabalho em mármore e realizar obras que enriquecerão espaços públicos, museus e coleções privadas.

As praias acolhedoras de Marina estão a apenas 3 km e também aqui, nas avenidas à beira-mar ou no lindo Parque da Versiliana, é comum encontrar esculturas de formas surpreendentes. Atrás da orla se erguem os Alpes Apuanos, com o fascinante mundo das pedreiras de mármore. Não é difícil alcançar as do Monte Altissimo, a 1589 metros de altura, as preferidas de Michelangelo. Basta seguir, de Pietrasanta, a estrada para Seravezza, que sobe por relevo arborizado. Curva após curva, torna-se cada vez mais visível uma clareira em degraus no ventre da montanha: é a Pedreira das Cervaiole, de onde são extraídos os blocos de mármore mais preciosos que, graças ao gênio do artista e ao trabalho do artesão, se tornarão obras de arte únicas e prestigiadas.

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