O herdeiro Luca Pertusati decidiu ceder a coleção de livros pertencente ao falecido, composta por mais de 24.000 volumes, que em sua maioria pertenciam a uma esfera de interesses histórico-eruditos e literários, adquirida pela Congregação do Estado para ser oferecida ao arquiduque Ferdinando, terceiro filho da imperatriz Maria Teresa e de Francisco I, e futuro governador da Lombardia.
Em 1770, Maria Teresa, considerando a falta em Milão “de uma Biblioteca aberta para uso comum daqueles que desejam cultivar mais seu intelecto e adquirir novos conhecimentos”, decidiu destinar ao uso público a Biblioteca de Pertusati, apropriadamente ampliada, após encontrar uma sede adequada próxima ao centro da cidade.
Essa sede só ficou disponível em 1773, após a dissolução da Companhia de Jesus, o que permitiu ao Estado adquirir o palácio do Colégio jesuíta de Brera, construído na área do convento medieval dos Humilhados. O termo latino medieval “Braida”, posteriormente evoluído para “Brera”, deu nome à Biblioteca que passou a ser chamada atualmente de Braidense. A abertura efetiva ao público ocorreu apenas em 1786.
A supressão da Companhia de Jesus também disponibilizou para o Estado os fundos bibliográficos do Colégio Braidense e das casas jesuíticas de San Fedele e San Girolamo, que, junto com o fundo Pertusati, constituíram o núcleo fundamental da Biblioteca.
Em 1778, foi adquirida a coleção do médico Albrecht von Haller, de Berna, rica em textos científicos valiosos. A essa se juntaram as coleções do conde de Firmian, do cardeal Angelo Maria Durini e do coronel Baschiera. Posteriormente, foram incorporados fundos de antigas livrarias claustrais. À Braidense também foram destinados os duplicados da Biblioteca Imperial de Viena.
Do período napoleônico, deve-se lembrar as aquisições da importante Biblioteca do Colégio dos Jurisconsultos e da família Scaccerni de Ferrara, rica em clássicos gregos e latinos. Para incrementar continuamente as coleções, desde o início foi instituído o depósito obrigatório, na Biblioteca de Brera, das obras publicadas no Estado de Milão.
Em 1802, a Braidense recebeu a qualificação de “nacional”. No decorrer do século XIX, outros fundos enriqueceram ainda mais o patrimônio da Braidense (volumes doados por Ermes Visconti, coleção do R. Gabinete Numismático, coleção bodoniana Mortara, coleção Lattes de obras de cultura judaica, parte dos manuscritos e impressos reunidos por Carlo Morbio, a miscelânea Vieusseux e a biblioteca de Cesare Correnti).
Em 1891, foi adquirida a coleção dramática Corniani Algarotti e, em 1895, acrescentou-se o legado De Capitani D’Arzago. O fundo especial manzoniano foi doado por Pietro Brambilla em 1885 e vem sendo continuamente ampliado (manuscritos, relíquias manzonianas, correspondência, vários livros anotados por Manzoni, quase todas as edições das obras manzonianas e estudos de crítica manzoniana).
Entre as coleções recebidas no século XX, é importante lembrar a Biblioteca Novati, a Biblioteca litúrgica dos duques de Parma, a coleção de xadrez, o fundo Castiglioni e o fundo fotográfico Sommariva.

