Nel 1838 a Comunidade de Modena decidiu construir um teatro moderno capaz de atender plenamente às necessidades representativas e ao decoro da cidade, já insuficientemente atendida pelo antigo Teatro Comunale de via Emilia, situado no edifício onde, desde o século XVII, ficava o antigo teatro dos comediantes, o Valentini. A nova construção foi confiada ao arquiteto ducal Francesco Vandelli, já autor do Foro Boario e da igreja de S. Giovanni del Cantone, que, antes de iniciar o projeto, visitou teatros contemporâneos importantes, entre os quais, documentados por levantamentos, estavam os de Piacenza, Mantova e a Scala de Milão, cujas dimensões foram anotadas no verso de alguns esboços (A.St.C. Modena, Vandelli Prof. Francesco Architetto. Recapiti della Fabbrica del Teatro Municipale dal 1839 al 1843. Progetti diversi di lavori privati senza data, 1 c., s.d.). Eles representam um dos poucos documentos gráficos feitos pelo arquiteto, do qual não são conhecidos desenhos autógrafos para o Comunale. As obras começaram em maio de 1838 na área escolhida, compreendida entre Canalgrande, vicolo Venezia, Fonteabisso e rua S. Margherita, onde foram demolidas ou reduzidas doze casas, mas, apesar disso, o espaço ainda era insuficiente, motivo pelo qual a fachada do teatro quebrou a simetria das casas do Canalgrande. Isso contribuiu para facilitar à distância a “leitura” da função do edifício, que, de fato, é então dificultada pela estreiteza real da via onde está localizado. Para suportar as despesas consideráveis necessárias para a grandiosa construção, os frequentadores dos camarotes do antigo Teatro Comunale foram convidados, e a maioria respondeu favoravelmente, a permutar os camarotes do antigo teatro por equivalentes no novo; fizeram empréstimos ao Município de Modena o de Formigine e a Congregação de Caridade de Mirandola; participou também o próprio duque, pagando o camarote real e fornecendo mármores provenientes da Villa d’Este em Tivoli. Após quase quatro anos de trabalho, o teatro – dotado de um amplo pórtico para carruagens na parte externa, de numerosos locais de serviço (entre eles a espaçosa sala para cenografia), de uma sala com planta em ferradura com quatro ordens de camarotes e uma galeria, além de um teto ricamente decorado – foi inaugurado na noite de 3 de outubro de 1841 com a ópera Adelaide di Borgogna al Castello di Canossa, musicada por Alessandro Gandini (poesia de Carlo Malmusi) seguida pelo baile Rebecca, com coreografias de Emanuele Viotti e cenários de Camillo Crespolani. Desde essa data, o edifício não sofreu alterações radicais; atualmente apresenta a fachada neoclássica original com um pórtico em pedra trabalhada no térreo, uma primeira ordem de janelas arquitravadas e um andar ático com janelas menores. O destaque da parte central é marcado por quatro colunas dóricas sobre as quais se apoia uma grade com pilastras que enquadra três janelas separadas por lesenas jônicas; no topo, um frontão decorado com o Gênio de Modena que emoldura o brasão da cidade. A fachada é valorizada pela inserção de uma decoração plástica primorosa constituída, além dos rosetões colocados nos arcos no térreo, pelos baixos-relevos de Luigi Righi nos flancos do pórtico (solução certamente derivada do Municipal de Piacenza) e em correspondência às janelas da primeira ordem. No interior, por um átrio oval, acessa-se aos camarotes por duas rampas de escadas e, pela porta central, à plateia que tem planta em ferradura, sob três ordens de camarotes (com seus respectivos “camerinos”) concluídos por uma galeria criada em 1901 no lugar da quarta ordem (cf. A.St.C. Modena, Atos Administrativos, 1901, f. 379, fs. Teatri, pz.2) e pelo balcão. O teto, de onde pende o grande lustre instalado com a introdução da luz elétrica em 1887 (cf. A.St.C. Modena, Atos administrativos, 1887, f.87, fs. Teatri, pz.9), é decorado com ornamentos de Camillo Crespolani e com figuras de Luigi Manzini, autor também dos estuques com histórias do Gênio que correm ao longo das varandas dos camarotes enquadrados por pilastrinhos esbeltos. Em 1869 foi executada uma repintura do teto, por Ferdinando Manzini, que propôs a adição de quatro grupos de putti. A sala conta com um golfo místico criado em 1935 (cf. A.St.C. Modena, Atos administrativos, 1935, f. 1477), um vasto e equipado palco com cenários originais e um subpalco restaurado, com o piso do palco em madeira sustentado por pilastrinhos de ferro. Nos anos 80 o teatro foi submetido a várias intervenções de restauração que se dirigiram tanto às áreas de serviço quanto aos equipamentos. Em outubro de 2007, o Teatro Comunale foi batizado como Luciano Pavarotti, em memória do grande tenor modenense, um mês após seu falecimento.
Informações sobre o Teatro comunale Luciano Pavarotti
Via Canalgrande,
41121 Modena (Modena)
Fonte: MIBACT

