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Teatro Girolamo Magnani, Fidenza

Teatro Girolamo Magnani Fidenza
Redazione FullTravel
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Em Fidenza, antes do século XVIII, eram montadas salas para apresentar espetáculos teatrais apenas em ocasiões especiais – como no carnaval de 1597 no palácio Zuccheri ou em 1609 em uma sala da Rocca dos Farnese. Mas por volta dos primeiros anos do século XVIII, deveriam existir pelo menos dois teatros: “um de dimensões modestas e construído em grande parte de madeira, situado próximo ao antigo seminário [episcopal] para uso dos Filodramáticos locais e de companhias humildes de jograis” (Allodi 1969, p.217), o outro colocado ao lado do hospital de San Giorgio, perto da Catedral e pertencente à família ducal. Enquanto do primeiro se perderam as rastros com o tempo, do teatrinho ducal conserva-se certa fama nas memórias históricas da cidade. Ele já estava em desuso em 1725 porque os anciãos pediram permissão ao duque para “instrução e diversão da juventude,” para poderem usar o velho teatro destinado a “estábulo e celeiro” (Aimi-Copelli 1982, p. 194). O teatro continuou a ser usado se dois anos depois, por ocasião do casamento de Antonio Farnese com Enrichetta d’Este, “foram feitas mascaradas, corrida de berberes, jogos de cavalos no teatro, danças no pátio” (Aimi-Copelli 1982, p. 195). A partir desse momento, por interesse da duquesa, o teatrinho viveu um longo período de sucesso, tanto que logo precisou de restaurações. Em 1737 foi chamado o carpinteiro Francesco Negri, que refez o palco e as camarotes, enquanto o mestre Ippolito Pinozzi renovou as paredes e o pavimento. Mas também na Rocca, residência da família ducal, continuaram, durante todo o século XVIII e além, a se realizarem representações na corte com aparatos efêmeros; se em homenagem a Carlo Goldoni, em 1725, “a pequena corte da ex-duquesa montou na Rocca uma comédia sua” (Aimi-Copelli 1982, p. 227). De dois anos depois vem a notícia relativa à concessão “por serviço a Enrichetta d’Este” de uma pensão conferida por mérito a Pietro Zani “como ator em seu teatro privado” (Aimi-Copelli 1982, p. 232) que testemunha mais uma vez a longa e nunca interrompida atividade do teatro ducal. Nas notas de 1791, o Conselho dos Anciãos, ressaltando as condições bastante graves do edifício já centenário, relata também uma rara descrição do aspecto interno do teatrinho: “as velhas madeiras que sustentavam a loggia de dois andares […] deveriam ser substituídas” (Aimi-Copelli 1982, p. 235). Preferiu-se então construir um novo teatro e, adquirida a casa Granelli (antigo Hospital de San Giorgio), foi chamado para o projeto o mestre de obras Angelo Rasori, de Parma. Mas as obras aparentemente foram abandonadas, pois ainda após cerca de dez anos chegou ao conselho uma solicitação de perícia sobre as melhorias a fazer no teatrinho ducal e um grupo de jovens pedia alugá-lo por algum tempo. Em 1812, vinte e oito cidadãos reunidos em sociedade e representados pelo subprefeito Giacomo Locard decidiram então comprar outro terreno para construir o novo teatro. A escolha não foi ao acaso sobre a área ocupada pela igreja de San Francesco, na atual praça Verdi. Após as supressões napoleônicas, de fato, a praça, com a igreja e o convento adjacente de San Giovanni, tinha perdido completamente seu papel urbano de polo religioso. “Única área elevada em relação ao resto da cidade [a praça] teve no passado uma importância considerável e talvez fosse um dos pilares do núcleo mais antigo e posteriormente o centro da cidade medieval” (Ferrari, Jemmi, Pedrelli, Ponzi, p. 47). Foi então demolida a igreja e erguida a estrutura do edifício segundo o projeto do arquiteto do teatro ducal de Parma, Nicola Bettoli. Suspensas mais uma vez as obras por falta de fundos, a sociedade propôs em 1831 a cessão ao Município, encontrando, porém, a oposição de Maria Luigia, pois, segundo ela, apenas a administração local deveria assumir um compromisso econômico demasiado oneroso. A complicar a situação veio em 1835 um tornado que destruiu o telhado prejudicando a estabilidade da estrutura bruta. Em 1848 o Município finalmente obteve a propriedade do teatro, já prestes a desabar, mas as obras só foram retomadas seis anos depois. Para a direção da construção foi chamado em 1854 o engenheiro do Município Antonio Armarotti, que deveria tentar respeitar, com alguma economia, o velho projeto de Bettoli. Para as alvenarias foi usado o material da igreja de San Giovanni, que havia desmoronado repentinamente naqueles mesmos meses. O famoso cenógrafo Girolamo Magnani, nativo de Fidenza, que acompanhou com muita atenção o andamento das obras dando conselhos preciosos ao arquiteto Armarotti. “Valendo-se então da ajuda de seus melhores alunos, como Giuseppe Giacopelli […] e Francesco Spada, Magnani completou o ciclo decorativo do teatro de Fidenza: muito simples no átrio com painéis em falso mármore e lunetas gradeadas, com duas figuras alegóricas, a Música e a Poesia, que antecipam as das salas das quais nos chegaram os esboços preparatórios” (p.47). Magnani decorou também o “Ridotto bombonière, onde entre alegria das flores, o jogo apolíneo se multiplica nos grandes espelhos de madeira dourada trazidos especialmente da corte ducal de Parma.” Para a decoração do teto da plateia, Magnani modelou estuques dourados, preciosos como mecanismos de relógio. Por trás desses ele pintou o céu com figuras alegóricas, criando um efeito final eficaz de abertura, em sintonia com uma antiga e festiva tradição da planície padana do século XVI. O uso rico, mas equilibrado, de douramentos confere a toda a sala uma certa aura francesizante. Magnani também desenhou e pintou os cenários para a apresentação do Trovatore por ocasião da inauguração do teatro, que aconteceu em 26 de outubro de 1861. A planta da plateia é em ferradura com três ordens de camarotes e um balcão. Cada ordem é dividida em dezoito camarotes. Há também três camarotes de cada lado no proscênio e acima da entrada um grande camarote real. O palco (reconstruído em concreto armado em 1953) dispõe de amplo espaço nos bastidores e de dez camarins. Há também uma sala com uma tribuna para os músicos. Conservam-se ainda algumas máquinas de cena e cinco preciosos lustres provenientes da corte de Parma, como os espelhos do Ridotto. A fachada é porticada com cinco aberturas encimadas por medalhões. Sobre a janela central há um frontão decorado e o brasão de Fidenza. Entre 1870 e 1871, sobre o palco, foi construída uma sala de baile com parapeito para os bailes de carnaval e sete anos depois o teatro tornou-se sede de uma escola de música teatral. À morte de Girolamo Magnani (1889), o Município decidiu dedicar o teatro à sua memória. Aos trabalhos esporádicos de manutenção soma-se, nos anos de 1932-1933, uma importante restauração das tapeçarias, douramentos, estuques e do velário. Desde 1910 o teatro é iluminado inteiramente por luz elétrica e desde 1964 possui um moderno sistema de aquecimento. Recentemente foi restaurada a fachada. Em 1988 o teatro foi reinaugurado após um fechamento de três anos para adequar as estruturas principais do edifício às normas de segurança, mas os móveis da plateia e dos camarotes ainda não foram substituídos por material adequado. O teatro está ativo e abriga temporadas de prosa, lírica, sinfônica. Esporadicamente são realizados espetáculos dialetais e para crianças. Embora não sistematicamente, o Teatro Magnani já recebeu nos espaços do foyer, em ocasiões especiais como a Grande Feira de Borgo San Donnino em outubro e o Festival Teatral ‘Giostra di maggio’, exposições de arte contemporânea ou de fotografia. Enquanto ainda está exposta no café do teatro um pequeno núcleo de pinturas do artista Oreste Emanuelli que, pouco antes de sua morte ocorrida em 1977, doou ao Município de Fidenza mais de 1.300 pinturas, em sua maioria conservadas na Biblioteca Pública Leoni. (Caterina Spada – Lidia Bortolotti)

Informações sobre o Teatro Girolamo Magnani

Piazza Verdi,
43036 Fidenza (Parma)

 Fonte: MIBACT

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