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Roscigno velha, cidade museu

Uma ampla praça com a igreja setecentista, com a fonte, com os bebedouros e os lavadouros públicos no centro, e, como um grande anfiteatro, a fachada das casas com as lojas, os estábulos, as adegas, e as ruas estreitas internas, as capelas, o cemitério e as trilhas que conduzem aos campos: assim, hoje como ontem, aparece Roscigno Velha, abandonada pelos moradores porque ameaçados por um deslizamento, e transferidos durante este século para a cidade nova, mais a montante em terra segura.

Massimo Vicinanza
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Mas Roscigno não é uma cidade fantasma; seus caminhos são percorridos diariamente pelos agricultores para o trabalho no campo, e as casas em melhores condições foram transformadas em depósitos para ferramentas e em estábulos para animais; a praça ainda é ponto de encontro e reunião para muitos dos antigos moradores, e sente-se no ar o vínculo que as pessoas têm com sua antiga vila.

Tudo isso é de grande fascínio e extremo interesse para o visitante: a história traumática, os deslocamentos forçados, as transformações funcionais das casas, os sistemas tradicionais de vida e trabalho refletem-se na particular estrutura urbanística, nos portais, nas janelas, nas varandas de ferro, nos tetos de madeira e nas paredes de pedra viva.

Roscigno Velha tornou-se, assim, um museu espontâneo que coleta várias camadas de documentação histórica; não é um lugar onde se guardam simplesmente objetos ou um museu de obras de arte ou história natural: é um “museu-cidade”, um espaço não fechado entre quatro paredes, mas ao ar livre, onde os limites perimetrais são dados apenas pelas campanhas ao redor; um museu constantemente visitável, 24 horas por dia, 365 dias por ano, um lugar de reflexão onde se respira uma atmosfera ligada aos ritmos biológicos da natureza. Para o estudioso, Roscigno é um “documento global” de história social, mas, acima de tudo, é um excepcional laboratório de pesquisa cultural “en plein air”.

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